Pedro Guerra: O enterro do CNPJ - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião23/06/2017 | 16h00Atualizada em 25/06/2017 | 15h58

Pedro Guerra: O enterro do CNPJ

Basta abrir qualquer rede social para entender que o que cada marca tenta é humanizar-se 

A boa notícia da semana é que fiz um novo cartão de crédito. Eu sei, pode até parecer meio contraditório falar sobre serviços bancários e felicidade na mesma frase, mas acontece que a experiência tem sido ótima. Decidi arriscar depois de revisar um trabalho de conclusão de curso que falava sobre o Nubank, um banco que, como o próprio nome sugere, é nu. Basicamente, o processo todo funciona apenas via celular, o que faz com que taxas e anuidades não existam. Sem agências, papéis, horas de fila e toda a parte chata. Mais do que isso, ao ler mais sobre a empresa (obviamente criada a partir de consumidores insatisfeitos com o atual modelo bancário), acabei solicitando o meu cartão por um motivo muito específico: a marca não é só uma marca.

Lembro da época em que os telejornais eram engessados, as empresas inalcançáveis e o consumidor mero coadjuvante. Hoje, o que vejo é a corrida pelo (muito) tempo perdido. Basta abrir qualquer rede social para entender que o que cada marca tenta é humanizar-se o mais rápido possível, seja por comentários engraçadinhos, seja por atendimentos bem feitos (o que nem mesmo deveria ser uma exigência). O CNPJ é o boneco de lata dos dias de hoje: bem no fundo, em algum lugar, ele esconde um coração. E encontrá-lo é uma missão inadiável.

Engana-se quem pensa que humanizar é coisa de empresa nova. Assim como o Nubank, que recentemente enviou um pacote de sal grosso e arruda para uma cliente que foi assaltada três vezes, a Disney (que não precisaria mais provar nada para ninguém) foi uma das pioneiras no quesito. Teve criança que esqueceu o bicho de pelúcia em um passeio pelo parque e a empresa, naturalmente, enviou o boneco de volta. Junto, um álbum de fotos que a equipe da Disney fez do bichinho passeando pelas atrações, sob a desculpa de que ele havia ficado um tempinho a mais para curtir umas férias. Barato, lúdico e efetivo. 

Contudo, o meu exemplo favorito é a moça sorridente que fica na balança do restaurante que almoço. Sei que não é seu trabalho escrever recadinhos nas tampas de viandas de todos os clientes, mas ela o faz porque acredita no mesmo que eu: somos humanos, e os sentimentos devem estar sempre em primeiro lugar. Até mesmo quando estamos vestidos de CNPJ.

Foto: Antonio Giacomin / Especial


 
 

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