Nivaldo Pereira: O mundo de dentro - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião30/06/2017 | 15h00Atualizada em 30/06/2017 | 16h15

Nivaldo Pereira: O mundo de dentro

Câncer lembra que não somos autossuficientes 

Nivaldo Pereira: O mundo de dentro Charles Segat/Ilustração
Foto: Charles Segat / Ilustração
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Imagine que não haja o conceito de família. Nada de vínculos de cuidado e proteção. Como somos uma espécie carente durante um longo tempo de infância, talvez baste uma instituição encarregada de nos guarnecer até andarmos com as próprias pernas. Tudo muito profissional, entre monitores e professores, sem apegos. 

Imagine que não haja o conceito de família. Nada de vínculos de cuidado e proteção. Como somos uma espécie carente durante um longo tempo de infância, talvez baste uma instituição encarregada de nos guarnecer até andarmos com as próprias pernas. Tudo muito profissional, entre monitores e professores, sem apegos. 

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Imagine não haver uma casa para chamar de sua. Sem um cobertor preferido, sem gavetas e compartimentos secretos, sem fotografias, sem memórias pessoais a enfraquecer de emoções os indivíduos. De nossos coletivos alojamentos, sairíamos para a vida disciplinados e objetivos, sem medinhos nem mimimis. Quanto progresso no país!

Imagine não haver espaço para subjetividades e particularidades. Tudo a ser focado no real externo. Também nada de passado, de sobrenomes, nada de árvores genealógicas, essas redes de afetos que amolecem os indivíduos com pertencimentos. Sem a emoção na frente, nada de alegrias nem tristezas, e viva o controle e a produtividade.

Um nome para este Estado hipotético? Que tal Terror? Ou Morte? Este seria um mundo sem o signo de Câncer. Desde o dia 21, é por onde o Sol transita, nos lembrando que, embora fortes e resistentes,qual um caranguejo com carapaça e pinças afiadas, por dentro somos feitos de delicadezas, sonhos e afetos. Para não ser cruel, o mundo de fora deve estar ancorado nessa porção invisível de nós – que muitos chamam de alma. 

É a consciência de nossas dependências – de um prato de comida a um abraço – que nos irmana como humanos. Câncer lembra que não somos autossuficientes. E isso gera vínculos afetivos. Cuidar para ser cuidado, para não morrer. Frágil, por sentir demais; forte, por defender incondicionalmente o que ama: Câncer é a essência da alma humana. 


 

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