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Opinião23/06/2017 | 16h00Atualizada em 23/06/2017 | 16h55

Nivaldo Pereira: Cancerianas fagulhas

O São João é uma festa canceriana, porque remete às origens interioranas, a arraiais e roças, a reuniões de famílias entre comidas típicas

Nivaldo Pereira: Cancerianas fagulhas Charles Segat/Ilustração
Foto: Charles Segat / Ilustração
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Em boa parte do Brasil, este sábado será o dia mais animado do ano. É dia de São João, a maior das festividades juninas, ainda bastante forte nas cidades interioranas e até mesmo em algumas capitais, como as nordestinas. A matriz dessa celebração é astrológica. A festa vem de rituais muito antigos em torno da data do chamado solstício, quando o Sol ingressa no signo de Câncer. Neste ano, o fenômeno ocorreu exatamente à 1h25min da quarta-feira, 21. 

Trata-se de um dos quatro pontos da órbita da Terra em torno do Sol em que se inicia uma nova estação, a partir das relações angulares entre os dois astros. Neste ponto de solstício, a Terra atinge sua maior inclinação para o norte, e o Sol incide com intensidade total sobre a linha imaginária do Trópico de Câncer. Abre-se o verão lá no hemisfério norte, com o dia mais longo do ano. Na ancestral religiosidade mais ligada à natureza, o fogo ritualístico e as festas dessa noite simbolizavam a vitória do sol e da luz sobre as trevas.

Quando o cristianismo se tornou religião oficial do Império Romano, teve de dar nova roupagem a muitas festividades pagãs já tradicionais entre os povos, como as celebrações em torno dos solstícios de verão e inverno. A Bíblia conta que João Batista nasceu seis meses antes de Jesus. Assim, com a adoção da data de nascimento de Jesus em 25 de dezembro, logo após o solstício invernal no norte, seria legítimo adotar junho como o mês de nascimento de João, com sua festa logo após o começo do verão. Os colonizadores portugueses trouxeram essa tradição para o Brasil, mesmo que aqui, no hemisfério sul, a estação seja o inverno. Aliás, termina fazendo todo o sentido acender fogueiras quando a noite é mais longa e mais fria. O fogo fica ainda mais simbólico.

O São João é uma festa canceriana, porque remete às origens interioranas, a arraiais e roças, a reuniões de famílias entre comidas típicas. Cheira a passado, a memória, a infância. É calor de fogueira em corações enfeitados de bandeirinhas coloridas. Viva São João!

 

 
 

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