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Opinião06/06/2017 | 06h30Atualizada em 06/06/2017 | 06h30

Natalia Borges Polesso: Nos queremos vivas

Porque é quando a gente deixa de apontar o machismo que estamos junto dele

Natalia Borges Polesso

nbpoless@gmail.com

É isso. Estamos expostas. E não é com pedidos de segurança e justiça que vamos nos sentir mais protegidas. Não. Temos que pensar todos os dias no machismo, porque ele é sim a causa do tipo de violência que matou Sandra. Pensar em como o machismo se propaga, em como ele se constrói, em como ele se revela nas menores atitudes. Para depois podermos ensinar ou pensar junto às nossas amigas menos atentas e, principalmente, junto aos nossos amigos todos, onde é que nos engajamos nesta violência. Sim, porque somos, de algum modo, parte dela. Podemos não ser, devemos, aliás, mas para isso acontecer, é preciso que estejamos sempre atentas e atentos.

Porque o machismo mata. E o feminismo salva. Por isso precisamos encontrar maneiras de abrir diálogo frente à violência. Por exemplo, não deixe passar aquela piada sobre a roupa da mulher na fila da balada, não deixe passar o comentário de que mulher não pode beber, e que não pode sair sozinha. A combinação desses três comentários, muitas vezes, autoriza um estupro. Não deixe passar a ideia de que menino não chora, não brinca de boneca, pode ser mais agressivo. Essas ideias transformam homens em seres incapazes de cuidar.

Não deixe passar a ideia de instinto materno, não deixe passar quando alguém diz que mulher tem que educar melhor os filhos. Não. Vamos parar de reproduzir tudo isso. Ao invés dessas declarações estúpidas e irrefletidas, vamos problematizar o uso da roupa, o consumo de álcool, a independência feminina, o choro masculino, a educação, os modelos. Por que uma roupa dá o direito de chamar alguém disso ou daquilo? Não deveríamos todos nos preocupar com alguém que bebeu demais seja quem for? Não reproduzam que mulheres criam filhos machistas, porque pai e mãe são responsáveis por prover educação para seus filhos. Com modelos e escolhas que permitam mais igualdade entre meninos e meninas. 

O feminismo está ajudando a desconstruir os estereótipos das meninas, e isto ótimo. E quando vamos fazer o mesmo com os meninos? Porque é quando a gente deixa de apontar o machismo que estamos junto dele. E são essas pequenas omissões que formam este grande abismo de onde saltam os casos de violência extrema que nos chocam tanto. Uma mulher tem que morrer para que prestemos atenção. Mas lembremo-nos esta mulher morre todos os dias. E se não pensarmos sobre nossas atitudes todos os dias, todos os dias morreremos novamente. Aliás, seremos mortas. E não queremos nenhuma a menos.

Mulher é dona de si. Homem nenhum vai dizer o que uma mulher deve ou não fazer ou como deve ou não agir. Lugar de mulher é onde ela quiser. Homem nenhum pode sobrepor ou ainda impor as suas vontades sobre as vontades de uma mulher. Mulher pode ser o que ela quiser, do jeito que quiser, onde quer que seja e homem nenhum pode dar um pio sobre o que uma mulher é, tem, quer, faz, vai ou deixa de.

Nos queremos vivas.

 
 

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