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Opinião27/06/2017 | 10h31Atualizada em 27/06/2017 | 10h31

Natalia Borges Polesso: Direitos e visibilidade

A gente passa com medo, às vezes, de existir em algum lugar hostil

Natalia Borges Polesso

nbpoless@gmail.com

"Nossa! Tu nem parece lésbica!" "Ai, tudo bem ser gay, mas afetado acho demais. Não precisa dar pinta." Preguiça. E daí que eu sou lésbica? E daí que você é gay? E daí que dá pinta ou não dá? Se é trans, bi, queer, fluido, e daí? E daí se sai de salto? E daí que arrasa no lipsync? Ou se não se encaixa nos estereótipos? E daí que é professor e "nem parece" ou se casado e paga as contas todas em dia, ou vai sai todos os fins de semana para pegar alguém diferente, se é nerd, e daí? O essencial nas nossas relações deve ser o respeito. Aliás, respeito deveria estar presente em todas as relações de afeto. E digo afeto aqui de maneira a querer expressar como nos afetamos mesmo, como nos tocamos, como entramos uns nas vidas dos outros. 

Porque sim, entramos. 

"Nossa, mas não precisa se beijar em público." Olha, precisar, ninguém precisa, mas e se a pessoa quiser demonstrar carinho? É aí que nos cruzamos, é aí que atravessamos as vidas. E se quiser andar de mãos dadas? E se quiser dizer que sente orgulho de ser uma daquelas letras: LGBTQI? E se na parada gay quiser sair purpurinado ou purpurinada dizendo que é bicha, sapata, veado e daí? A gente passa a vida toda numa luta para existir! Existir nas nossas famílias, existir no nosso trabalho, existir perante a lei que nos permite casar, ter filhos, criar filhos, que nos permite cuidar da pessoa que amamos caso esta esteja no doente. Que nos permite doar, nos doarmos.

A gente passa com medo, às vezes, de existir em algum lugar hostil e este lugar pode ser qualquer um dos anteriormente mencionados. Pode ser a rua ou a supermercado que você vai sempre tranquilamente. De repente você dá a mão para o seu companheiro ou companheira, um gesto corriqueiro de afeto, e todos olham estranho. E você precisa escolher se vai existir plenamente ali ou não. 

E tantas, mas tantas vezes, nos tornamos invisíveis. Entendem o que eu digo? Algo que é normal na vida de um casal hétero, às vezes, é uma luta existencial para um casal homo. A gente sofre com medo. Medo de causar constrangimento a quem amamos, medo de ser agredido, medo ser ridicularizada, medo de ser assediada "mas não falta um homem aí?", medo de não poder amar plenamente com este gesto simples de carinho. Então, se nesta semana gritamos mais, se nesta semana juntos temos que mostrar mais coragem, se neste mês se propõem debates para que todos e todas juntos possamos compreender, é porque, durante o ano inteiro nós lutamos, a cada dia que nasce, lutamos para ser. E estamos aqui.

É tempo de celebrar e refletir. Celebrar nossas conquistas e refletir muito ainda sobre tudo o que nos faz invisível, tudo o que nos faz não poder existir.

 
 

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