Francisco Michielin: Para viver um grande amor - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião08/06/2017 | 08h00Atualizada em 08/06/2017 | 15h47

Francisco Michielin: Para viver um grande amor

Onde se antecipam as horas para inspirar um grande Dia dos Namorados

Francisco Michielin
Francisco Michielin

franmcf@terra.com.br

Elas andavam aí pelos seus treze aninhos, criaturas angelicais. Até que não mais do que de repente, a natureza as transfigurava em lindas meninas-moças. Rapidamente, os biótipos se desenvolviam, modelando-se formosos. Os seios intumescidos, as pernas moldadas roliças, as cinturas requebrando em molejos, com doce balanço. Rostinhos espirituosos, pintados de malícias e dengues, no desabrochar da feminilidade. Os anjinhos viravam diabinhos sapecas em beleza e encantos. Eram nossos "brotinhos". Flores em plena brotação e floração dos seus vulcânicos estrógenos.

Percebendo suas mudanças internas e externas, as noviças mulheres começavam a sentir-se em condições de perturbar os rapazolas que antes as esnobavam. Frívolas e provocantes, admiradas e visadas pelos imberbes súditos. De sorrisos cativantes a alvura dos dentes, brilhar na alvura dental, entreabertos por lábios levemente carnudos. Empoderadas, elas se davam ao luxo de cumprimentar quando e quem desejavam. Argutamente, simulavam superioridade, só para se tornarem mais apetitosas.

Assim eram as gurias que faiscavam por nossa fogosa adolescência. Todas elas. Podiam ter o nome que tivessem, a gente acendia os faróis dos nossos olhares, lançando-lhes fagulhas de embevecimento. Cada um, obviamente, apreciava mais essa do que aquela, sendo a recíproca verdadeira. Se o gostar se consolidava mutuamente, exacerbava-se a hesitante e excitante fase dos flertes. Sim, flertava-se como primeiro mandamento do catecismo dos enamorados. A gente não "ficava". Nem sonhava com essa sutil estratégia então desconhecida. Mais atrevidamente, esperávamos a saída dos colégios. Depois, a vigilância e a perseguição na praça, cuidando passo por passo, tendo, na maioria das vezes, os rompantes de ousar pegar na mão frustrados como missão impossível. Quando um casalzinho conseguia era uma festa, valendo por uma liturgia.

No escurinho do cinema das inocentes matinês, as chances de procuras e toques sempre aumentavam. Mas ninguém podia ver ou saber, senão iria ser uma zoeira danada. Um escândalo. Caso qualquer insinuação chegasse aos ouvidos das mamães, o castigo prometia ser grande. Algumas moçoilas mais "avançadas" não davam a mínima – ou será que "davam"? — não estavam nem aí e todos as identificavam como "galinhas", atrevidas e fervilhantes — bonitinhas, mas ordinárias. Predominavam, porém, as donzelas castas e puras e que logo após flutuarem dançantes no baile de debutantes, carimbavam o passaporte para enraizar os florescentes namoros. Enfim, namorava-se, com ternura e com afeto.

 
 

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