Em sessão para pacientes renais, morador de Caxias vai ao cinema pela primeira vez aos 60 anos - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Sonho realizado16/06/2017 | 15h27Atualizada em 16/06/2017 | 17h01

Em sessão para pacientes renais, morador de Caxias vai ao cinema pela primeira vez aos 60 anos

Antônio Rosalvo da Silva foi com os colegas da ONG Rim Viver assistir Saneamento Básico - O Filme, no cinema do Ordovás

Em sessão para pacientes renais, morador de Caxias vai ao cinema pela primeira vez aos 60 anos Felipe Nyland/Agencia RBS
Antônio Rosalvo é paciente renal há oito anos. No ano passado, iniciou hemodiálise e passou a frequentar a Rim Viver Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Qualquer um de nós, em algum momento, já se deixou levar pela magia do cinema. Quem esquece o primeiro filme que assistiu numa tela maior que o próprio quarto? Em algum momento, qualquer um de nós foi dormir feliz por ter realizado um sonho. Não é sempre que a vida nos permite cumprir os compromissos que marcamos com os nossos sonhos, afinal. Na última sexta-feira, Antônio Rosalvo da Silva realizou um sonho acalentado ao longo de seus 60 anos: assistir a um filme no cinema. 

O escolhido foi Saneamento Básico (2007), comédia dirigida pelo gaúcho Jorge Furtado e estrelada por atores e atrizes que Antonio só conhecia das novelas que assiste com a mulher, como Camila Pitanga, Lázaro Ramos, Wagner Moura e Fernanda Torres. A exibição era parte da Semana do Meio Ambiente em Caxias. A sessão exclusiva para pacientes renais atendidos pela Rim Viver, oferecida pela Unidade de Cinema e Vídeo da Secretaria da Cultura, não foi exatamente uma novidade. Seu Antonio é que é novidade na ONG, onde ingressou oito meses atrás. 

Portador de doença renal há oito anos, o construtor civil aposentado por invalidez –as costas não aguentaram o trabalho pesado – iniciou as sessões de hemodiálise no ano passado, na mesma época em que passou a frequentar a entidade sediada em frente ao shopping San Pelegrino. No mês que vem, fará os últimos dois exames para entrar na fila de transplante. 

– Sempre quis conhecer o cinema, só que nunca se ajeitou, sabe? Sou muito caseiro – comenta, como quem nunca teve muito aí pra isso.

De falas curtas, Antônio expressa seu encantamento pelo olhar, o maior emissário da alma. Foi assim no trajeto a pé até o Centro de Cultura Ordovás, com as mãos enfiadas nos bolsos da jaqueta para proteger da tarde gelada, seguiu assim enquanto se divertia com a impecável atuação de Paulo José, responsável pelas falas mais engraçadas do filme, e não foi diferente ao acender das luzes na sala de cinema.

– Muito bonito – limita-se a comentar para a amiga e colega Eva Silveira, que o acompanhou no caminho de volta.

– Da próxima vez quero trazer minha esposa – acrescenta.

Amigo de Antônio e presidente da Rim Viver, Evandro Neckel resumiu a satisfação de proporcionar aos colegas renais aquela tarde, proposta pelo educador social Samuel Oliva.

– Quando o paciente chega até nós, a primeira coisa que fazemos é mostrar a ele que a vida não acabou. O convívio através de atividades como oficinas de artes e culinária, rodas de conversa e cinema, ajuda a devolver a autoestima e o prazer das pequenas coisas – reflete. 

Durante 12 horas por semana, divididas em três dias, Antônio Rosalvo está preso a uma máquina. Nas outras 156 horas da semana, a vida segue plena e convidativa a novos sonhos.

 
 

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