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Diversidade16/06/2017 | 16h52Atualizada em 16/06/2017 | 17h05

Debate em Bento Gonçalves irá abordar o universo LGBT neste domingo

Evento pretende colocar em discussão temas como homofobia, preconceito e, principalmente, respeito às diferenças

Debate em Bento Gonçalves irá abordar o universo LGBT neste domingo Andréa Graiz/Agencia RBS
Foto: Andréa Graiz / Agencia RBS

Os tons do arco-íris vão colorir a Rua Coberta de Bento Gonçalves na tarde de domingo, quando a diversidade dará o tom ao Universo LGBT em Debate, evento que pretende colocar em discussão temas como homofobia, preconceito e, principalmente, respeito às diferenças. Das 14h30min às 20h, o espaço, localizado na Rua Rolando Gudde, atrás da Fundação Casa das Artes, sediará uma série de painéis com convidados locais e de Porto Alegre para marcar as comemorações do mês do orgulho LGBT, em referência a lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros. Além disso, haverá atrações musicais e espaço para manifestações construtivas sobre questões relativas à causa.

— A ideia nasceu como uma oportunidade para dar voz a quem quer externar suas opiniões e o orgulho de ser LGBT. Infelizmente, isso ainda é um tabu para bastante gente e o objetivo é romper o preconceito — afirma o jornalista Rodrigo De Marco, organizador do evento.

Uma das convidadas é a drag queen porto-alegrense Lola Dvil, encarnada pelo estudante Alcides Furlin, 25 anos. Nascido em Alta Floresta (MT), o universitário mudou-se para Bento Gonçalves em 2005 e, atualmente, mora na Capital, onde cursa engenharia civil.

— Ao levar a Lola a esse evento, levo comigo toda uma bagagem de um guri que veio de uma cidade super pequena e que, mesmo enfrentando preconceito durante toda minha vida, acabei sempre conseguindo tirar o melhor de cada momento. A drag sofre preconceito no próprio meio LGBT. Ainda somos muito associadas à prostituição. Em pleno 2017, "as gays" ainda têm horror ao que é feminino — diz.

Ativista das causas LGBT e participante da equipe regional de diversidades dos escoteiros do Brasil, a estudante Luiza Aiolfi é outra participante. Aos 18 anos, promove promove capacitações para jovens sobre assuntos ligados ao movimento.

— As pessoas têm muitas dúvidas a respeito de temas como identidade de gênero, diversidade de sexualidades, como tratar esse assunto com jovens, e diferenças entre travestis e transexuais, por exemplo. Os jovens têm bem menos resistência do que os adultos e muitas pessoas têm preconceito porque não conhecem. — cita Luiza.

Integrante do Conselho Estadual de Assistência Social e autora do livro Direitos Humanos a (Homo) afetividade e os Movimentos Sociais LGBT, a assistente social Fernanda Canfield cita o direito a adoção, o reconhecimento da união homossexual no mesmo patamar de união estável, e a possibilidade de tornar-se dependente em plano de saúde, de usar o nome social, de poder registrar a união em cartório e dos pais homossexuais registrarem seus nomes nas certidões dos filhos, adotados ou biológicos, entre as principais conquistas dos homossexuais no Brasil nos últimos anos.

— A grande maioria das conquistas para o público LGBT não está em lei, são orientações jurídicas, são planos, programas, projetos. São frágeis. Mesmo que haja reconhecimento jurídico, não têm força de lei. Isso tratando-se dos diversos direitos: civis, políticos, sociais. Se formos discutir conquistas de reconhecimento social, estamos muito aquém nesse processo de aceitação e não discriminação — reflete Fernanda.

Para ela a onda conservadora na qual vive o Brasil, principalmente na política, tem reflexos diretos nos direitos da população LGBT:

— Essa onda conservadora na política ganha força social, fazendo emergir um conservadorismo social que sempre existiu, mas que, por vezes recuou e, agora se fortalece. Percebemos isso quando um ser humano, por ser transexual é espancado e morto, e o ato violento é aclamado socialmente e se reverbera.

AGENDE-SE

O quê: Universo LGBT em Debate
Quando: domingo, das 14h30 às 20h.
Onde: Rua Coberta, em Bento Gonçalves. Atrás da Fundação Casa das Artes.
Quanto: entrada gratuita.

Participantes:

Bernardo Dal Pubel, fotógrafo e criador do Coletivo Nosso Corpo Nossa Arte.
Luiza Aiolfi, defensora das causas LGBT e participante da equipe regional de diversidades dos escoteiros do Brasil.

Fernanda Canfield, assistente social, integrante do Conselho Estadual de Assistência Social e autora do livro Direitos Humanos a (Homo)afetividade e os Movimentos Sociais LGBT.

Jaiane Trivelin, cantora, apresentará um pocket show com canções de Tiago Iorc, Anavitória, Clarice Falcão, 5 a Seco e Silva, entre outros artistas.

Lola Dvil: drag queen, irá contar sua história e sobre os shows que realiza numa casa noturna de Porto Alegre.

Camila Paese Fedrigo, advogada atuante em causas LGBT e de família, é uma das organizadoras do livro Multiplicidade e Direito.

 

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