Ciro Fabres: Não deu certo - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião07/06/2017 | 12h03Atualizada em 07/06/2017 | 12h03

Ciro Fabres: Não deu certo

Profissões dignas foram relacionadas ao "se nada der certo". Deu o maior bafafá

Ah, a realidade e suas relações. E suas circunstâncias. Aí reside a dificuldade, as relações sociais. A vida simplesmente não haveria sem as relações sociais. Sem elas, não tem graça nenhuma. À primeira vista, relações sociais prestam-se a teorias de "ólogos", sociólogos, antropólogos, humanistas, ou de gente de esquerda. Mas relações sociais são exatamente a dificuldade, a equação, a mediação, o cuidado necessário, o que uma coisa, um gesto, uma frase representa para outra pessoa.

Houve uma frase em maio, agora surge outra em junho. "Tem de manter isso aí", disse o presidente Michel Temer em maio. "Se nada der certo" foi a questão formulada por alunos de uma escola particular de Novo Hamburgo para eles próprios. A resposta foi triste. Desde já, candidata-se a frase do mês, como o "tem de manter isso aí" presidencial.

O presidente e seus fiéis escudeiros entrincheirados sob fogo cerrado no Planalto não viram problema no "tem de manter isso aí", que surgiu depois que o famoso Joesley disse que estava ¿de bem¿ com Eduardo Cunha, preso em Curitiba. Mas tem as relações sociais, isto é, o que um ato, uma frase, significam quando associados ao contexto todo. Então o "tem de manter isso aí" quase derruba o presidente Temer, foi o princípio de tudo.

Já o "se nada der certo", para alguns, também não teve nada de mais. A escola de Novo Hamburgo desenvolveu uma atividade com esse rótulo, uma festa "para descontrair" em que os alunos deveriam caracterizar-se, vestir-se de profissões às quais poderiam ter de recorrer caso "nada dê certo", caso não passem no exame para ingressar na faculdade de preferência. Como por exemplo, motoboys, domésticas, balconistas e outras. Na tese, na ausência de total contato com a realidade, seria o famoso plano B, e ponto. Não há maldades nem juízos possíveis em uma tese. Ela se desenvolve no abstrato.

Mas aí entra a realidade, a "inconveniente" realidade mediada pelas relações sociais. Porque as profissões que não estão associadas a um êxito no ensino superior são o que são: profissões dignas, mas que foram relacionadas ao "se nada der certo". Deu o maior bafafá nas redes sociais. Só podia, pois as relações sociais se interpuseram a fazer a mediação. E o "se nada der certo", que alguns entenderam "sem nada de mais", não funcionou quando associado a determinadas profissões, e não poderia funcionar mesmo. "Se nada der certo", os alunos recorrem a profissões tidas como subalternas. Ora, é uma falta de noção sem tamanho, ou coisa pior, preconceito arraigado.

Não se desprezam relações sociais, o contexto. As consequências são graves. Só os incautos desprezam. Subestimá-las pode derrubar um presidente e disseminar preconceitos.

 
 

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