Ciro Fabres: Mais belos recicladores - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião21/06/2017 | 10h28Atualizada em 21/06/2017 | 10h28

Ciro Fabres: Mais belos recicladores

"Surpreendentemente, os concursos demonstram vitalidade e encontram espaço mesmo em uma época repleta das luminosas e sedutoras atrações da tecnologia."

Concursos de beleza fazem parte, ainda e desde há muito tempo, de nossa forma de organização como sociedade. Eram bem mais populares décadas atrás, quando as redes sociais tinham outra tradução e se davam em torno de clubes, sociedades, com vínculos comunitários mais fortes. Mas, surpreendentemente, os concursos demonstram vitalidade e encontram espaço mesmo em uma época repleta das luminosas e sedutoras atrações da tecnologia.

Entre nós, temos nosso principal concurso, que até agora dava-se de dois em dois anos, mas o próximo será três anos depois do último, para eleger rainha e princesas da Festa da Uva. Tem concursos como a escolha da glamour girl, rainha do Carnaval e outros para apontar a mais bela comunitária, a mais bela comerciária, a mais bela torcedora, e assim por diante. São iniciativas, ao primeiro exame, singelas e despretensiosas, muitas vezes subestimadas, mas de componente comunitário inegável. Ajudam a integrar, a promover solidariedade, a organizar, a fortalecer vínculos. Não são bobinhos assim, os concursos.

Dias atrás, um desses concursos, cuja ideia surgiu a partir da expressão da vontade de uma comunidade específica, foi usado politicamente de forma extremamente infeliz. Reverberou até na Câmara, sob forte crítica, a realização do concurso Mais Bela Recicladora e Mais Belo Reciclador. Foi sugerido pelos recicladores que trabalham em suas associações e será organizado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Emprego. A intenção é dar visibilidade e fortalecer as associações de reciclagem e, de quebra, incentivar o descarte correto do material reciclável. Objetivos nobres, comunitários, que contribuem para uma sociedade sustentável.

Sem nenhum cuidado, o discurso político que se estabeleceu foi uma crítica contundente à secretaria sob justificativa de que a realização do concurso consistia em uma das poucas ações da parte da administração municipal para o desenvolvimento econômico. Claro que a crítica política é direcionada à atuação da Secretaria de Desenvolvimento. Mas ela ficou atrelada, jogada em cima dos ombros dos recicladores, que, de forma singela, entenderam por bem escolher a mais bela e o mais belo entre eles. Se pode haver escolhas de beleza para vários outros segmentos, ficou a impressão de má vontade gratuita associada aos recicladores. Não é justo.

Depois, a Câmara até recebeu um representante do movimento Catador Legal, que defendeu o concurso na tribuna. Mas aí o estrago já estava feito. Ficou muito antipático. Que monumental descuido com os recicladores. Se todos podem escolher o mais belo e a mais bela, eles também podem, está claro.

Que a festa seja bonita. Os recicladores tornam a cidade melhor, e merecem. 

 
 

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