Pedro Guerra: prazo de validade - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião26/05/2017 | 14h00Atualizada em 26/05/2017 | 14h41

Pedro Guerra: prazo de validade

"O meu ponto de equilíbrio é onde mora a minha felicidade. Só a minha."

Pedro Guerra: prazo de validade Antonio Giacomin/
Foto: Antonio Giacomin

Hoje eu não tinha nada para dizer. Durante as duas últimas semanas pensei muito sobre o que falar, cheguei a escrever diversos rascunhos que obviamente acabaram no lixo. O resultado foi nulo, e as indagações infinitas. "Acho que não sei mais escrever", confidenciei para um amigo próximo. Ele riu e disse que a escrita é como andar de bicicleta: nunca se esquece. Porém, mesmo que eu quisesse falar sobre um bocado de questões que borbulhavam por aqui, nenhuma parecia se aplicar ao papel em branco. O que foi que aconteceu comigo?

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Ultimamente tenho estado exigente demais comigo mesmo. Nada serve, nada é bom o suficiente. Enquanto parece que todos os outros estão caminhando, direcionados aos seus objetivos, eu estou aqui, estático. Imóvel. De repente, meus rabiscos não fazem sentido e a pressão parece ter aumentado. "Fulano ganhou tal prêmio; cicrano é bom demais; beltrano é um tanto quanto genial", eu ouvi eles dizerem. Quis perguntar onde eu me encaixava nisso tudo, e surgiu em mim uma carência que acho que acaba nascendo em todo mundo uma hora ou outra. Passei a indagar o meu papel, a minha relevância, e olha que eu nem estava na consulta com a psicóloga.

Tentei resgatar crônicas antigas, e mesmo em meio a um grande acervo, nenhuma trazia a sonoridade que eu buscava. De algum modo, é bom quando apenas a verdade nos serve. E a verdade é mutável, é temporal. O que eu queria ontem, hoje já não quero mais. Não serve, perdeu a graça. Expirou o prazo de validade.

Disseram para eu olhar pelo lado positivo: é legal nunca estar satisfeito e buscar sempre o que podemos oferecer de melhor. Porém, em momentos como este, acredito que seja justamente o contrário. Eu não quero ser o melhor. Eu já cansei de ter que provar que eu consigo fazer isso ou aquilo, ou que algum dia eu vou chegar onde fulano já chegou – mais novo ainda do que eu. Quem disse que eu quero estar no mesmo lugar que fulano? O meu ponto de equilíbrio é onde mora a minha felicidade. Só a minha.

Certa vez, escutei de um aluno que ele não sabia escrever. Inquieto, ele disse que não sabia nem mesmo por onde começar. E, olha só, por mais que eu leia, treine e pratique, têm vezes que eu também não sei qual vai ser o meu início. Mas também sei que todas as vezes eu estou certo sobre o meu final. Eu termino em mim mesmo, simples assim. E isso, de um jeito absurdamente satisfatório, hoje me basta.

 
 

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