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Opinião05/05/2017 | 16h01Atualizada em 05/05/2017 | 16h10

Nivaldo Pereira: a bênção,  Caymmi!

"Quantas canções perfeitas, tecidas na beleza do simples, na cristalina e exata poesia sensorial de Touro!"

Nivaldo Pereira: a bênção,  Caymmi! Foto/Charles Segat
Foto: Foto / Charles Segat

Toda vez que o Sol pastoreia pelo céu de Touro, é tempo de louvar seu Dorival. De tão manso, de tão sábio, de tão iluminado, foi homenageado por Gilberto Gil na canção Buda Nagô. "Dorival é um monge chinês, nascido na Roma negra, Salvador", canta Gil. Nosso Buda Nagô era taurino, como dizem que também o era o ilustre Buda hindu. A paz encarnada, enfim. Quantas canções perfeitas, tecidas na beleza do simples, na cristalina e exata poesia sensorial de Touro! Ele canta: "oh, vento, que faz cantiga nas folhas do coqueiral", e a gente sente a brisa e sua música! Sua voz macia entoa que "o mar quando quebra na praia é bonito, é bonito", e parece que as ondas batem em nossos pés! Este é seu Dorival, nosso terno e eterno Caymmi. 

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Pelo longo tempo de carreira, Dorival teve uma produção musical bastante enxuta: menos de cem canções. Consta que levou nove anos para terminar João Valentão. Mas para que pressa? Ele explicava: "Pego uma canção e deixo ir rolando, devagarinho, ruminando". Quando prontas, pareciam ter emergido do folclore, de tão fluentes e gostosas, e logo seduziam todos os tipos de ouvido. A natural percepção rítmica taurina produzia delícias de manha e langor como "requebre que eu dou um doce, requebre que eu quero ver" ou "é dengo, é dengo, é dengo, meu bem, é dengo que essa nega tem". E é dele a estrofe com o pressuposto da ginga brasileira: "quem não gosta de samba bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé".

Dorival está vivo no coração do povo, nas festas de rua, louvando Iemanjá, vendo Dora dançar frevo, ficando de mal porque Marina se pintou e indo para Maracangalha sem Anália. Ele inventou o mar na música e mapeou como ninguém sua terra ancestral. Foi o "cantor das graças da Bahia", no dizer do cúmplice Jorge Amado. Aliás, muito do que se sabe da Bahia vem do imaginário das canções de Caymmi. Quem mais transformou em música a receita do mítico vatapá? E o homem ainda era um pintor das formas e cores do povo e da natureza!

A bênção, doce santo taurino Caymmi!



 
 

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