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Saúde mental05/05/2017 | 16h01Atualizada em 05/05/2017 | 16h10

Na hora de procurar ajuda

Psicólogo ou psiquiatra? Cada profissional de saúde age de uma forma e entender os sintomas e a causa do problema auxiliar na escolha

Na hora de procurar ajuda Gonza Rodrigues/Ilustração
Foto: Gonza Rodrigues / Ilustração
Gazeta do Povo

Na hora de buscar ajuda para manter a saúde mental, é comum surgir a dúvida: procuro um psicólogo ou um psiquiatra? A escolha, porém, depende muito da situação e dos sintomas que a pessoa apresentar. Para explicar sobre essa diferença, o psiquiatra Edvino Krul Junior relatou duas histórias e pediu para que os leitores pensassem qual seria o caso de buscar um psicólogo e qual exigiria o atendimento do psiquiatra.

Caso A

O homem tem um bom emprego, é casado e é feliz no casamento, não tem problemas financeiros e nem de relacionamento. Porém, nos últimos anos, tem se sentido triste — e não sabe apontar qual é a razão desse sentimento negativo.

Caso B

Outro homem que está passando por uma situação de estresse, com brigas no casamento, inclusive levando ao fim do relacionamento. Nada parece dar certo no trabalho e sente-se constantemente irritado.

— O caso A parece que a vida da pessoa está toda organizada e não tem um motivador aparente para ele se sentir triste. Parece ser uma doença, de ser algo químico que está errado no organismo. Neste caso, é importante buscar um psiquiatra — explica o médico. — O caso B, por outro lado, tem um motivador. É o estresse no trabalho e em casa. Parece ser uma reação àquela situação vivenciada e poderia ser solucionado pensando nos relacionamentos daquela pessoa. É o caso, portanto, de buscar um psicólogo — completa Krul Junior. — Quem procura por um psiquiatra deveria também procurar um psicólogo, porque o resultado do tratamento em junto melhora — diz.

Essa é uma dúvida comum quando se fala de estresse e, principalmente, quais os sintomas, sequelas, cuidados e tratamentos do Estresse Crônico. O médico Miguel Mariano Marzinek alerta:

— Muitas pessoas tendem a confundir e a achar que estão enfartando, entrando em convulsão ou mesmo tendo um AVC, quando na verdade são sinais decorrentes de um estresse crônico. Quando a pessoa passa por uma situação de estresse, a pupila dilata, a pele fica mais pálida, a musculatura tensiona, o coração acelera e esses são sinais comuns e até saudáveis, dependendo da situação. O problema está quando esses sintomas se prolongam e predispõem o organismo a outras doenças, como úlceras, gastrites e até mesmo problemas cardíacos — explica Marzinek.

O psiquiatra Caetano Fenner de Oliveira defende que qualquer tipo de sofrimento emocional pode começar através de consultas com um profissional de ambas as áreas. Porém, em determinados casos, a indicação é mais pontual:

— Para episódios depressivos sem causas externas o uso de medicação e a procura de psiquiatra clinico ainda é o mais indicado. Em outros tipos de depressão ligadas a causas profissionais, conjugais ou desilusões amorosas o ideal seria procurar um psicoterapeuta, e, caso o problema envolva transtornos de personalidade o ideal em termos de melhora clínica a médio e longo prazo seria o tratamento psicanalítico de alta frequência — explica.

Segundo ele, alguns pacientes procuram inclusive tratamentos alternativos, como holística, transpessoal e reencarnacionista, por os mesmos não possuírem obstáculos típicos da profissão médica como dificuldade de agendamento, valores elevados, etc.

A psicóloga caxiense Nivea Rosa, formada em psicologia clínica com orientações psicanalíticas, também defende que o psiquiatra e o psicólogo são profissionais complementares. Segundo ela, em casos graves, a julgar pela avaliação dos profissionais, é indicado que a paciente faça tratamento combinado:

— O psiquiatra, nesse caso, fará a intervenção através de medicamentos, para amenizar os sintomas, tanto na situação de sentimentos de tristeza quanto da irritabilidade. O psicólogo, por outro lado, atua como um ego auxiliar, realizando um trabalho de mediador, auxiliando o sujeito a identificar quais motivos que estão levando essa pessoa a agir dessa forma — afirma.

* Colaborou Bruna Valtrick

MAIS

Diferenças

O trabalho do psiquiatra tem como principal preocupação identificar o problema do paciente para, em seguida, realizar a prescrição dos medicamentos. Já o psicólogo não atua através de diagnósticos, centrando-se mais em descobrir as causas do problema, seja ele estresse, depressão ou outra doença mental.

10 dicas de como lidar com o estresse diário e reduzir os sintomas (tente seguir pelo menos cinco delas)

1) Organize em uma lista todas as obrigações para o dia

2) Seja mais assertivo nas tarefas

3) Dê um zoom ao problema

4) Aprenda a dizer 'não'

5) Expresse seus sentimentos ao invés de guardá-los para si

6) Melhore a qualidade da alimentação

7) Faça exercícios físicos regularmente

8) Não beba, nem fume ou use drogas

9) Diminua o consumo de café e açúcar

10) Durma melhor


 
 

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