Jayme Monjardim fala sobre sua nova novela das 18h, que terá cenas em Garibaldi - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Contador de histórias08/05/2017 | 11h02Atualizada em 08/05/2017 | 13h00

Jayme Monjardim fala sobre sua nova novela das 18h, que terá cenas em Garibaldi

"Tempo de Amar" vai substituir "Novo Mundo", às 18h, na Globo

Jayme Monjardim fala sobre sua nova novela das 18h, que terá cenas em Garibaldi Mariana Catalane / Divulgação/Divulgação
Jayme Monjardim durante as filmagens de "O Avental Rosa", filme que deve estrear em agosto Foto: Mariana Catalane / Divulgação / Divulgação

Contar histórias está na alma de Jayme Monjardim. Apaixonado pelo Rio Grande do Sul, o diretor escolheu a Serra gaúcha para ambientar "Tempo de Amar", próxima novela das 18h da Globo, que substituirá "Novo Mundo" a partir de setembro. Há cerca de duas semanas, ele esteve na região em busca de lugares que poderão servir de cenário para o folhetim escrito por Alcides Nogueira que se passa nas décadas de 1920 e 1930 em Portugal e no Rio de Janeiro e terá como protagonista a atriz gaúcha Vitória Strada.

— Como a novela é de época, o Rio Grande do Sul tem uma coisa muito importante que é o senso de preservação. Tem locações incríveis perto de Garibaldi — disse em entrevista ao Pioneiro.

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Monjardim falou ainda sobre cinema — seu novo filme, O Avental Rosa, tem estreia prevista para agosto — e vinhos. Em 2015, ele entrou para o universo de produtores da bebida com o Villa Matarazzo, um corte de 75% de touriga nacional e o restante de outras cepas de vinhas velhas elaborado por um pequeno produtor português. O projeto é resultado de uma parceria entre o diretor e a enóloga garibaldense Maria Amélia Duarte Flores, de quem Monjardim se aproximou em 2013 no lançamento do filme O Tempo e o Vento.

Confira os principais trechos da entrevista.

O que te inspira?
A própria vida, não tem como ser diferente. Vivendo, olhando e aprendendo é exatamente onde a gente colhe toda inspiração para os trabalhos que faz. A vida é o grande segredo para tudo.Que tipo de trabalho te dá prazer?Sou um contador de histórias. Toda história me dá prazer porque faz parte da minha alma, da minha essência.

Qual o barato de fazer TV? E cinema?
O cinema é mais artesanal, mais pessoal. A TV tem uma grande dosagem comercial. A gente tem de estar atento a coisas importantes, como audiência e uma série de coisas.

Por que gravar na Serra?
Sempre tive muito prazer em trabalhar no Rio Grande do Sul. Tem cenários incríveis, uma luz maravilhosa e equipes fantásticas. Normalmente não levo ninguém aqui do Rio de Janeiro, a não ser os cabeças, que são os criadores. A equipe mesmo a gente pega toda no Rio Grande do Sul. Tem grandes profissionais. Tenho verdadeira paixão por trabalhar aí no Sul.

Haverá locações em outros lugares?
Para o que a gente está procurando, que são vinícolas antigas, aquele clima mais ou menos dos anos 1920, casas antigas e tudo, o Rio Grande do Sul é perfeito, principalmente essa região de Garibaldi. Para essa novela, a gente só vai trabalhar essa região da Serra.

Como as novelas podem competir com outras plataformas?
Novela é um produto altamente brasileiro. Também é produzida no México e em outros países latinos, mas a novela brasileira tem uma qualidade profundamente superior. Ela é preferida por ser um produto muito nobre, muito bem feito, sempre usando um elenco poderoso, o que a gente tem de melhor. Acredito que, brevemente, tanto a Netflix quanto as outras plataformas irão iniciar a produção de suas novelas. Acho impossível que isso não aconteça, ainda mais num mercado como o do Brasil, onde a novela é o principal produto de venda, é onde se sustenta uma emissora. Qualquer produtor de conteúdo, qualquer pessoa que pense em fazer conteúdo, com certeza terá de fazer novelas. Não tenho dúvida nenhuma que o próximo grande produtor de novelas seja uma Netflix.

A vida imita as novelas ou é o contrário?
A novela é consolidada já há muitos anos. São mais de 50 anos, desde que começou com a radionovela, depois a novela, Excelsior, Tupi, Record e tantas outras grandes emissoras que no passado tinham como principal produto a novela. A novela é um misto de tudo. A novela é uma história, ela tem uma regra básica. É importante estar dentro de um contexto de uma linda história de amor, onde o bem tem que vencer sempre o mal. Existe uma fórmula. A novela tradicional respeita alguns códigos que são importantes. Quando a gente faz minisséries é diferente. Aí a gente pode romper barreiras. Mas a novela tem de ter uma fórmula já consagrada. A novela vive de emoção, de grandes histórias, em que a emoção é a grande protagonista. A alma, a essência da novela, é a emoção.

O que gosta de assistir?
É impossível fazer novela sem assistir ao que todos fazem. É muito importante acompanhar o que está acontecendo no mercado, nas outras emissoras. Acompanho tudo o que está sendo feito em termos de novelas, séries e minisséries, não só no Brasil como no mundo.

Você dirigiu um filme sobre Olga Benário Prestes e uma minissérie sobre sua mãe, Maysa. Que outras personalidades dariam bons roteiros?
O que não falta no nosso país são grandes histórias. A gente é um país muito grande, com milhões de possibilidades, culturas. A gente tem aqui um grande paraíso de histórias, de grandes personalidades. Tudo o que deu muito certo fora do Brasil, quando a gente apresentou filmes ou (outros gêneros) em festivais, foram as histórias que vêm de dentro para fora. O maior exemplo seria (o filme) O Pagador de Promessas, que é uma história muito brasileira e que foi um dos grandes prêmios que a gente recebeu no passado no cinema brasileiro me Cannes (lançado em 1962, é o único filme brasileiro e sul-americano a conquistar a Palma de Ouro do Festival de Cannes, na França).

Qual o desafio em fazer cinema no Brasil hoje?
É levar o público a assistir filmes brasileiros que não sejam só comédia. Não é fácil. Grandes obras que foram feitas com qualidade incrível, se não são comédias, fica ali naqueles 800 mil, 1 milhão de espectadores. Temos um trabalho muito difícil pela frente que é botar público assistindo a filmes brasileiros que não sejam comédia.

O que esperar de O Avental Rosa, seu próximo filme (gravado em Porto Alegre, o longa conta a história de Alice, uma cuidadora de pacientes terminais)?
É uma linda história de amor ao próximo, por meio da qual eu quero transformar o conceito do avental rosa num conceito de ajuda humanitária, de ajuda às pessoas. É uma história muito bonita, muito simples. Acredito que o lançamento seja em agosto.

O que o filme O Tempo e o Vento representou na tua carreira?
É um marco no meu trabalho. Sempre tive o sonho de fazer uma obra como essa. Ter a possibilidade de contar essa história foi um presente. Tenho muito orgulho desse trabalho, do que foi feito, de como foi feito. Vai ser um grande filho que consegui trazer para o mundo e que nunca mais vou esquecer desses momentos. Foram três meses incríveis na minha vida, quando eu tive a oportunidade de fazer o filme em Bagé e em várias locações no Rio Grande do Sul.

Qual teu diretor favorito?
Sou um cara muito clássico, meu cinema é um cinema clássico, um cinema de contador de histórias. Um dos diretores que regem um pouco a minha vida é o (italiano Roberto) Rosselini (1906-1977), que era um diretor muito acadêmico. Sou mais um contador de histórias do que propriamente dito um diretor com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. Minha porção Glauber Rocha é mínima. O que me deixa completamente absorvido e completamente fixo na minha cabeça é contar bem aquela história. E ter a certeza de que o protagonista é o texto e não a nossa câmera. Ou que a grande protagonista é a história mesmo. Esse é o segredo.

Que estilo de vinho te atrai?
Começou como uma brincadeira e hoje ficou mais sério. A gente já fez o nosso Villa Matarazzo, que é um vinho português. Eu e Maria Amélia (Duarte Flores), que é a nossa enóloga e responsável por tudo. A minha ideia, com o tempo, é trazer de volta alguns artigos e alguns produtos da Matarazzo. Como bisneto de Francesco Matarazzo, que fez uma grande indústria nem São Paulo e que chegou a ter mais de 400 produtos no mercado, meu sonho é, devagarinho, ir trazendo de volta os produtos da Matarazzo. Estamos trazendo vinho, agora a gente começa com a cerveja, em breve massas, cachaça, de tudo um pouco. A ideia é abrir o Empório Matarazzo.

O que o levou a lançar o Villa Matarazzo e por que a escolha de um produtor português para essa parceria?
Começamos em Portugal, agora estamos indo para a Argentina e, depois, Chile.

Qual a sensação de ter um espumante em homenagem a sua mãe?
Era um sonho. Desde que fiz a minissérie (Maysa: Quando Fala o Coração, 2009), sempre imaginei. Minha mãe bebia muito champanhe rosé. Em parceria com a Guatambu, a gente está conseguindo fazer um trabalho bacana. Está saindo muito e foi um grande acerto. É um processo a longo prazo. Tudo é uma questão de tempo, de você ir conhecendo o mercado, ir se estabelecendo no processo.

 
 

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