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Opinião11/05/2017 | 13h52Atualizada em 11/05/2017 | 13h52

Francisco Michielin: por uma bota de dólares

Onde se bota o nariz para farejar algum tesouro escondido em lugar insólito

Francisco Michielin
Francisco Michielin

franmcf@terra.com.br

De saída, ao ler a notícia, obviamente, não acreditei. Custou a cair a ficha. A princípio, pensei se tratar de alguma dessas armações publicitárias. Tipo: "Comprem uma bota e quem encontrar dólares dentro leva mais uma de presente para enfrentar o inverno". Bota promoção bacana nisso. Já estou imaginando que alguma das nossas sapatarias irá estampar tal chamarisco em suas vitrinas. Sucesso e lucros garantidos. É de duvidar que alguém queira continuar a enfiar uma bota velha e enrugada, em detrimento de arriscar a petiscar uma novinha em folha e na última moda. E com propina de notas verdinhas embutidas...

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Já estou enxergando as longas filas. Especialmente se forem lojas exclusivamente femininas. Nossa! A excitação do "tititi" irá provocar um frenesi hormonal, pronto para a invasão de terras. Cada qual achando que o prêmio estará destinado aos seus delicados e sensíveis pezinhos. Quem será a Cinderela da hora? A condição é que a compra terá de ser no escuro. Ou seja: sem o direito de apalpar as pontas pretextando testar se o couro é duro ou macio. E, claro, para não detectar nenhum provável enchimento camuflado empinando o bico. Não! A competição para ser justa impede qualquer toque manual. Só podal. Uma vez feita a escolha, seja o que Deus quiser.

Com a sorte lançada, o mulherio terá o direito de experimentar imediatamente a cor predileta e o número adequado. Não será especificada a coloração do calçado. Daí, a graça do suspense. E terá que ser respeitado o critério que tamanho não é documento. Tanto poderá ser contemplado um pé delgado ou uma prancha. Tudo na dependência da sensibilidade. Esperta e temporariamente, algumas

senhoras e senhoritas haverão de trocar os seus exercícios nas academias por ágeis e hábeis treinamentos caseiros a fim de botar as botas o mais rápido possível e se calçarem é porque serviu...

Mas, e do contrário, se a mesma premiação couber também aos varões? Aqui, quero crer que a maioria dos interessados terá fortes raízes gauchescas. Ou por precisar usar em suas atividades campeiras ou por ser membro de algum CTG. Peões, capatazes e laçadores irão amarrar seus cavalos nos shoppings, sorvendo chimarrão para aplacar a impaciência. A largada será dada com uma cuspida no chão. Os guascas vão passar a sola por cima e correr a descalçar as meias (meias- sujinhas e meias furadinhas) e com um olor meio nauseabundo. Na sequência, com a grossura dos seus dedões irão fuçar as botas como se tivessem catando tatu na toca. E que ninguém bata as botas pela emoção das lambujas dos dólares...

 
 

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