Tríssia Ordovás Sartori: verdades nem sempre saborosas - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião21/04/2017 | 16h00Atualizada em 21/04/2017 | 16h17

Tríssia Ordovás Sartori: verdades nem sempre saborosas

O que não entendo direito são os que insistem em reclamar da corrente e não conseguem achar graça nos feitos alheios

Tríssia Ordovás Sartori: verdades nem sempre saborosas Fábio Panone Lopes/Divulgação
Foto: Fábio Panone Lopes / Divulgação
Tríssia Ordovás Sartori
Tríssia Ordovás Sartori

trissia.ordovas@pioneiro.com

Uma amiga conta que dividiu piscina e short conversations com Paul McCartney duas vezes, passou uma semana na Patagônia com um ator global, jantou ao lado da Britney Spears no México, tomou drinks na mesa ao lado da Madonna em Londres e cruzou com mais uma penca de celebridades em elevadores, hotéis, bares e restaurantes mundo afora.

Outra tem um título de nobreza.

Uma era íntima da Elis Regina e beijou a Fernanda Montenegro.

Vários já entrevistaram presidentes, apresentaram programas de televisão e jantaram com personalidades da cultura e da política.

Muitos desbravaram os destinos turísticos mais inusitados, participaram de festas incríveis, foram salvos por desconhecidos — sempre com um final interessante e feliz.

Há quem tenha confessado ter usado todo e qualquer tipo de droga e agora sequer beba socialmente. Que foi expulso de colégios e se tornou um profissional exemplar.

E por aí vai.

Como sei disso e por que menciono todos eles juntos? Porque há dias estão desfilando pela minha timeline, no divertido "9 verdades e 1 mentira". É interessante ver todo mundo pensando em alguns dos acontecimentos mais bacanas da vida, para compartilhar com os outros. E, assim, ninguém quer ficar para trás: há uma sucessão de peripécias, uma mais curiosa do que a outra, e que, se não fosse assim, apenas as pessoas mais próximas saberiam.

Uma amiga bacanérrima e divertida, por exemplo, reclamou que não tinha uma vida interessante o suficiente para entrar na brincadeira, dado o nível da "competição". Mas aí uma querida lembrou a ela: 1. boa mãe, 2. filhos lindos, 3. marido massa, 4. profissional competente e inspiradora, etc, etc, etc. Tão óbvio quanto desinteressante, ela pensou. O importante, nesse caso, parece só uma banalidade.

Há quem diga que o desenvolvimento da nossa região tenha se dado justamente por essa ideia: o vizinho fazia uma casa bonita para mostrar que tinha progredido e acabava estimulando todo o entorno a mostrar seu progresso também. E isso foi sendo multiplicado e movimentando a economia e formando uma das ideias de prosperidade. Pelo visto, funciona até hoje — ao menos no ambiente virtual, onde tudo é super dimensionado.

O que não entendo direito é aquela gente que insiste em reclamar desta corrente e não consegue achar graça nesse universo efêmero de desnudamento dos sujeitos. É difícil lidar com os feitos alheios, né?

Leandro Karnal que provoca: quer saber quem são teus amigos verdadeiros? Convida-os para um jantar na tua casa e, lá, conta apenas sobre os teus sucessos. Fala o quanto estás bem e feliz. Muita gente sabe (e até gosta de) lidar com o fracasso. Já o sucesso, só faz bem a quem torce por ti. Por isso que, talvez, essas verdades incomodem tanto.


 
 

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