Neusa Bocchese abre nesta quinta mostra 'Tra-Dressa: Passado-Presente' - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Mostra06/04/2017 | 09h30Atualizada em 06/04/2017 | 09h30

Neusa Bocchese abre nesta quinta mostra 'Tra-Dressa: Passado-Presente'

A exposição será na Galeria de Arte Gerd Bornheim

Aos 81 anos, artista gosta de usar temas ligados à cultura de imigração italiana, como casas tombadas, as cruzes do cemitério e, agora, as dressas. Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

No início, elas não tinham cor. Depois, combinava-se a palha mais escura com a mais clara e nasciam os desenhos. Depois, com o cipó, veio o vermelho e o verde. E com a anilina, uma infinidade de cores. As dressas, tranças feitas com palha de trigo, são as principais protagonistas da exposição Tra-Dressa: Passado-Presente, de Neusa Bocchese, que abre hoje na Galeria Municipal de Arte Gerd Bornheim.

Aos 81 anos, Neusa conta que se descobriu artista ainda criança. Porém, com a necessidade de construir carreira, influenciada pelos pais, acabou se tornando técnica em contabilidade e graduada em Educação Física. Nunca trabalhou com números, mas deu aula de educação física durante boa parte da vida. Quando se aposentou, decidiu pintar e, juntamente com uma amiga, abriu seu primeiro ateliê.

— Sempre gostei de arte. Tinha alma de artista. Quando pequena, via uma flor na roça e me encantava. Comecei tendo aulas com a Beatriz Balen Susin. Abrimos um ateliê. Depois, a artista Odete Garbin começou a nos lecionar. Por 20 anos, ela vinha nos ensinar. Agora meu curador é o Celso Bordignon — conta.

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Neusa já pintou de tudo, mas a maior paixão é pela história italiana. As casas tombadas de Antônio Prado, os capitéis, as cruzes de ferro do cemitério, os lambrequins, tudo já foi eternizado em telas pela artista. Agora, trabalha com as dressas e as sportas, a reprodução em tela das cestas feitas com os trançados. A cultura desse artesanato era muito presente nas colônias italianas. Neusa lembra que, no "seu tempo", as meninas precisavam fazer ao menos 10 metros de trança de palha antes de dormir. Porém, a paixão pela tradição sempre esteve presente, até mesmo entre os homens.

— Alguns rapazes faziam as tranças escondidos, não contavam para ninguém. Quando viajavam para encontrar as namoradas, faziam as tranças no caminho. Ao chegar perto da casa, escondiam as peças. Depois, voltavam a trançar no caminho de volta — lembra Neusa.

Algumas das obras expostas são feitas à base de cola quente e pincel atômico. Outras, em tela e tinta acrílica. A técnica de Neusa é, a partir de uma tela original, fiel aos trabalhos antigos, criar uma nova obra, diferente. Ou mais "modernosa", como diz. Os quadros variam entre reproduções e desconstruções feitas pela artista:

— Uma vez estava passeando e vi no chão uma dessas cestas, toda aberta e cheia de barro. Pensei em como ficaria aquilo depois de estragarem, usarem e o tempo comer. Levei isso para a tela e nasceu essa desconstrução — explica.

PROGRAME-SE

O que: exposição Tra-Dressa: Passado-Presente, de Neusa Bocchese
Quando: hoje, às 20h. Visitação de 7 a 29 de abril, de segunda a sexta-feira,das 8 às 17h e sábados das 10h às 16h.
Onde: Galeria Municipal de Arte Gerd Bornheim (Rua Dr. Montaury, 1.333)
Quanto: entrada franca

 


 

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