De vendedor de picolés a palestrante internacional: conheça Dan Willms, criador do workshop Mudança Positiva - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Exemplo24/04/2017 | 07h45Atualizada em 24/04/2017 | 07h45

De vendedor de picolés a palestrante internacional: conheça Dan Willms, criador do workshop Mudança Positiva

Gaúcho de Venâncio Aires desenvolveu método motivacional que aplica em workshops nos EUA e no Brasil

De vendedor de picolés a palestrante internacional: conheça Dan Willms, criador do workshop Mudança Positiva Roni Rigon/Agencia RBS
Willms difunde no Brasil o workshop Mudança Positiva, baseado no curso The Science of Happiness, de Harvard Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

Não à toa, o caminho que fez o vendedor de picolés e frentista Daniel Willms tornar-se Dan Willms, empresário e life coach que a partir de seu escritório na Florida oferece cursos e palestras motivacionais espalhados por países de língua inglesa, espanhola e portuguesa, inspirou um treinamento para a vida chamado Mudança Positiva. 

O coaching surgiu do insight que Willms teve ao perceber que o espírito transformador que o tirou dos empregos de salário mínimo em Venâncio Aires para cargos executivos no exterior era explicado em algumas das principais universidades norte-americanas, onde estudos sobre felicidade rendem os melhores livros de autoajuda que se pode encontrar nas livrarias e bibliotecas. Um desses cursos é o The Science of Happiness (A Ciência da Felicidade), em Harvard, com o qual Willms foi contemplado após se graduar em Life & Business Coaching (Treinamento Para a Vida e Negócios), pela Universidade de Miami. 

As primeiras viagens aos EUA, Willms relembra em um Café de Caxias do Sul – onde vem algumas vezes por ano dar aulas em um MBA, palestrar em empresas e também visitar uma irmã – foram quando ele trabalhava como representante comercial em uma empresa do ramo do aço em Porto Alegre. Alguns anos depois, já na terra de Donald Trump, arriscou abrir uma empresa de granito, que o fez prosperar vendendo banheiros para milhares de famílias americanas. 

Ao mesmo tempo em que prosperava vendendo banheiros a famílias americanas, Willms intensificou os estudos sobre desenvolvimento pessoal. Ao identificar na própria habilidade de converter em sucesso os perrengues da vida, levou a própria jornada mais longe, transformando-se num inspirador de mudanças pessoais e profissionais. O coaching Mudança Positiva já teve mais de 130 edições e vendeu mais de 3 mil exemplares do ¿baralho dos valores pessoais¿, kit que integra o curso. 

Ao Pioneiro, além de contar sua trajetória, Willms falou sobre o anseio das pessoas por uma vida mais feliz e próspera, seja nas relações pessoais ou no trabalho.

Pioneiro: Como surgiu o curso Mudança Positiva?
Dan Willms: O Mudança Positiva consiste nas coisas que melhor funcionaram na minha vida, desde que comecei a trabalhar vendendo picolé em Venâncio Aires, aos nove anos. Sempre tive um instinto de mudar de vida, de não querer ser um alcoólatra, como tinha exemplos na família. Quando comecei a estudar coaching e psicologia positiva, descobri que isso tinha nomes, eram ferramentas. Por exemplo: sempre fui preocupado em entender quais as minhas prioridades, o que me faz bem. Na universidade, isso se chama valores pessoais. Outro exemplo básico é a roda da vida, que é pegar áreas da própria vida e avaliá-las em forma de gráfico, para a partir disso descobrir qual área precisa de mais atenção. Porém, o mais difícil é ser sincero consigo mesmo, que contraria a tendência do cérebro a se proteger. O treinamento ajuda a driblar nossos próprios subterfúgios e atingir o âmago dos problemas.

É possível, portanto, aprender a ser feliz?
Utilizando o método científico, que é de avaliar, replicar e verificar, cientistas de Harvard observaram que era possível fazer isso com a felicidade. Segundo esses estudos, a felicidade vem de três fontes: 50% é genética, 40% é comportamento, e 10% é circunstância. A genética e a circunstância – como um problema de saúde ou emprego ruim, por exemplo – você não consegue mudar a curto prazo. O segredo está nos 40% de atividades intencionais, que a longo prazo interferem nas demais fontes. O que aprendi é identificar, nos meus comportamentos, que vêm dos meus valores pessoais, quais me fazem mais feliz. Os valores pessoais são a raiz do comportamento, que por sua vez levam à felicidade.

Quais valores provocam esses comportamentos que levam à infelicidade?
O valor que as pessoas mais buscam resgatar é o tempo para si mesmo, esse é o mais gritante de todos. Depois vêm saúde, família e prosperidade. De uns anos pra cá, têm aparecido muito nos treinamentos a necessidade de paz, no sentido de controlar o agito em que vivemos e do desconforto que provoca a dificuldade de estar focado no momento presente. Repare em como é difícil estarmos aqui tendo essa conversa sem qualquer distração, o esforço que isso nos exige.

Isso tem a ver com a urgência da internet e das redes sociais?

Sim. Vou dar um exemplo muito comum entre empreendedores: uma das coisas mais destrutivas é ver o que a concorrência está fazendo nas redes sociais, tendo ideias melhores. Aquilo fica martelando na cabeça por dias. É uma ilustração do quanto as redes nos tornaram pessoas invejosas. A gente não consegue desenvolver a empatia para ficar feliz quando o outro posta uma foto num lugar legal. Qualquer pessoa que posta excessivamente certamente não tem aquela vida que aparenta ter. Mas isso gera uma energia muito negativa na audiência. O segredo é saber reconhecer quando os pensamentos de frustração, medo e ansiedade se aproximam. É preciso estar atento e com a mente tranquila para materializar estes pensamentos. ¿Por que estou nervoso? Ahh...porque este pensamento chegou¿. Em uma semana, tudo muda. Tu explode menos, briga menos, dorme melhor, faz sexo melhor...apenas porque consegue administrar esses pensamentos.

O que as pessoas mais buscam no treinamento?
Elas querem entender por que são tão inquietas, como se algo sempre estivesse faltando. ¿Como cheguei aqui e aqui não é como eu pensei que seria?¿ A felicidade está sempre dois passos à nossa frente. Mas isso é o que eu percebo das pessoas, que é diferente do que elas dizem. Quando uma pessoa pinta para mim uma realidade muito bonitinha, eu desconfio. Temos vergonha de dizer que não somos assim tão felizes.

Essa inquietação não diminui conforme a idade avança?
Eu acho que não cessa, mas a gente aprende a administrar. Ao invés de passar um dia reclamando, a gente passa 10 minutos e já começa a rir. A idade nos faz agir mais rápido. Dois anos atrás, uma idosa que eu considerava minha avó morreu lá na Florida, com 97 anos. Eu a via dirigindo o carro dela e perguntava se ela estava feliz. O que ela dizia era: ¿não, eu só aprendi a lidar melhor com as m... que me acontecem¿. Outra coisa que me chama a atenção é que, até os anos 1990, as pessoas sofriam grandes alterações em seus valores pessoais a cada 25 anos. Aquele impulso de sair de um casamento infeliz, de um emprego insatisfatório, por exemplo. As pessoas eram mais felizes, se tu considerar a falta de perspectiva. Atualmente, uma pessoa normal muda seu conjunto de valores a cada três ou cinco anos. Isso gera uma loucura emocional. Não por acaso, a idade que mais ocorre divórcios nos Estados Unidos é aos 50 anos. As pessoas não querem mais se contentar com uma vida meia boca. Elas querem ter sexo de qualidade, sabem que ainda estão na metade da vida e merecem mais. O que gerou isso foi o acesso à cultura muito maior.

As pessoas estão mais interessadas em viver com propósito?
Sim, mas há um grande problema: ninguém quer ter um propósito meia boca. Tem que ser algo grande. Principalmente entre os 20 e 35 anos. As pessoas não querem aceitar que talvez o seu propósito seja aparentemente pequeno, que talvez ela queira ter ¿apenas¿ determinada vida. Não é pequeno se for dela mesmo, se for verdadeiro.

A Mudança Positiva pode acontecer para qualquer pessoa?
Sim. Não tem idade, não tem classe social. De adolescentes caxienses sem casa do projeto Pescar, por exemplo, a advogados de Nova York que ganham milhões. Quando o teu relacionamento ruim te machuca, quando o teu comportamento te machuca, quando o teu vício te detona...se a pessoa tem algo que a machuca o suficiente, ela consegue mudar. O ditado de que a gente aprende no amor e na dor é mentira. A gente só aprende mesmo na dor. Quando alguém alcança o fundo do poço e se pergunta: ¿e agora?¿ Esse é o melhor momento. No fim, aquilo que tu pensou que ia te destruir, pode ser aquilo que te construiu. Parece clichê, mas é verdade.


 
 

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