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Opinião25/03/2017 | 07h13Atualizada em 25/03/2017 | 07h13

Tríssia Ordovás Sartori: para onde vamos

Repetição, inovação, mutação, evolução, cooperação e competição. Vida, enfim

Tríssia Ordovás Sartori: para onde vamos Vivi Pasqual/
Foto: Vivi Pasqual
Tríssia Ordovás Sartori
Tríssia Ordovás Sartori

trissia.ordovas@pioneiro.com

Passeio pelo Museu do Amanhã, no Rio, e um apanhado de letrinhas surge no painel preto, enorme. Como códigos combinados, simulando bases do DNA, pequenas sentenças em branco e vermelho surgem na tela e chamam atenção para o óbvio: Vida é inovação e repetição. Life is innovation and repetition. Vida es innovación y repetición. Assim mesmo, três vezes, pra não deixar dúvidas de que a mensagem será transmitida de alguma forma.

Quando conseguimos transformar o mundo em símbolos — e manipulá-los na nossa mente — começamos a poder mudar as coisas a partir dessa tomada de consciência a partir da linguagem. Lembrei de uma das premissas do pesquisador Kevin Ashton, do MIT, no livro A História Secreta da Criatividade — Descubra como nascem as ideias que podem mudar o mundo. Ele foca na repetição para chegar à excelência, para concretizar processos simples. A ideia surge, começamos a criar, o resultado não fica bom, e muitos param por aí — a genialidade não existe por si só, está na repetição, no empenho. O fracasso, inevitavelmente, aparece em algum momento. O segredo, segundo o professor, é justamente a persistência: refazer, quantas vezes forem necessárias, até encontrar uma solução (criativa ou prática).

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Dou a volta no painel do museu e me deparo com nova sentença: Vida é mutação e evolução. Life is mutation and evolution. Vida es mutación y evolución. Também assim, em três idiomas, para dar conta do recado — a essa altura, já deveria ter dado, imagino. Além de repetir e persistir, precisamos nos transformar para sermos melhores. Ainda seremos nós, mas uma versão aprimorada, com certeza, of course, por supuesto. Não somos tão geniais como imaginamos nos nossos melhores dias — logicamente somos bons em algumas coisas, incríveis em outras, mas, de um modo geral, ficamos na média. Nós e todo mundo. Quem se dá melhor, então? Quem repete, topa ir além, quem desafia os limites da própria comodidade e/ou ignorância.

Antes de deixar o recinto dessa parte da exposição, ainda consigo ler em outra parede escura: Vida é cooperação e competição. Life is cooperation and competition. Vida es cooperacción y competencia. As letrinhas voltam a surgir brancas e vermelhas, alternando-se em português, inglês e espanhol. Os dois conceitos podem parecer antagônicos, mas são, essencialmente, complementares. A cooperação traz vantagens para todos que estão conectados em prol de uma mesma intenção — trabalho, relacionamento, família. Fica fácil perceber que, juntos, todos saem ganhando. Na competição, o recado não é tão óbvio: há uma carga quase negativa na palavra. Mas o ato de competir evoca um pouco da repetição, da busca pelo melhor, no estímulo a quem está por perto a fazer o mesmo. Parece individual, mas também é coletiva.Antes de as letras mudarem de novo, fica claro que nós manipulamos os símbolos na mente. A forma como os desembaralhamos é o que dá sentido à nossa existência.

 
 

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