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Opinião 27/03/2017 | 08h12Atualizada em 27/03/2017 | 08h12

Marcos Kirst: zumbis ali, zumbis aqui...

Não é à toa o sucesso de seriados protagonizados por mortos-vivos cambaleantes

Quando eu nasci, meio século atrás, na distante e pequena Ijuí, interior do Rio Grande do Sul, os tempos eram outros, inimagináveis para gerações já surgidas na era das redes sociais e do fantástico Google. Não havia computadores, não havia internet, nem telefones celulares. "Rede social" era um fenômeno que acontecia sempre que pessoas em carne e osso se reuniam em família ou entre amigos em torno de um objetivo humano comum como conversar, jogar cartas, jantar, dançar, fazer um churrasco, conviver olho no olho, com as almas presentes junto aos corpos físicos e não distanciadas em mergulhos autocentrados pelas barafundas viciantes (algumas delas imbecilizantes) dos meandros proporcionados por aparelhinhos que nos dias de hoje disputam o lugar de gente de verdade, criando gerações de zumbis.

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Não é à toa que os seriados televisivos e filmes que mais fazem sucesso na atualidade são aqueles protagonizados por mortos-vivos cambaleantes e babões, com os quais o público parece se identificar plenamente. Veem-se representados pelos zumbis nos quais estão se transformando do lado de cá das telas, sempre que optam conscientemente por trocar convivência humana real por navegação virtual. Fazer o quê? Afinal, não se pode medir as consequências das invenções tecnológicas que vão surgindo e revolucionando o mundo, tampouco responsabilizar os inventores pelo mau uso de suas criações. Quem inventou o fogo pensando em cozinhar as sobrecoxas de mamute não previu seu uso posterior por Nero no incêndio deliberado de Roma. Quem inventou o avião para encurtar distâncias não imaginava seu uso bélico na destruição de cidades por bombardeios aéreos. Quem criou o automóvel não tem culpa na mortandade do trânsito irresponsável. Quem inventou a internet, as redes sociais e os aparelhinhos portáteis que lhes dão acesso ilimitado e onipresente não pensava em gerar zumbis.

Porém, basta olhar em volta para sentir-se imediatamente imerso dentro do cenário de "The Walking Dead", porque a instalação da Zumbilândia caminha a passos largos e firmes, embalada no cambalear trôpego dos que preferem abandonar sua própria humanidade em benefício da vida virtual. Tudo o que é em demasia preocupa. Perder a medida do uso é o que gera a doença. Até ar demais pode explodir o pulmão. Água cristalina em demasia pode afogar. Internet e rede social em excesso imbeciliza e gera zumbis, sim. Mas nunca é tarde para acordar, afinal, como mostram os seriados, até contra zumbis existem antídotos. Nesse caso específico, o antídoto é a opção pela vida real.

 
 

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