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Opinião29/03/2017 | 10h00Atualizada em 29/03/2017 | 10h00

Ciro Fabres: até na hora da morte. Amém!

"Pode uma causa da troca de caixões não ter sido o ajuste fiscal, mas essa é uma possibilidade forte"

Um erro pode se dar por várias razões: distração, descuido, imprevidência, imprudência, imperícia, incompetência continuada ou negligência, em uma escalada de gravidades. Ou ainda, em sua versão mais romântica, um erro pode se dar por limitação humana. Diante de um erro, estamos diante da maior das humanidades. O ser humano falha e erra, não há como escapar. É quando ele está diante de sua limitação mais evidente e precisa da mão do outro para seguir em frente. Precisa do outro.

O que fazer diante de um erro é questão fascinante. Porque quem julga um erro também erra, detalhe esse que, quando esquecido, ignorado ou deixado de lado, permite flagrar em ação os vírus da arrogância e da prepotência.

Primeiro, para saber como reagir diante de um erro, e com quem o cometeu, será necessária uma sindicância sobre esse erro. Porque ele aconteceu e o histórico de quem o cometeu, se é possível ou não considerar atenuantes. E o encaminhamento a ser dado, em certos casos, pode reorientar ou salvar vidas, em outros soterrá-las de vez. Muito cuidado, pois.

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Alguém trocou os corpos neste final de semana no DML de Caxias. Um corpo deveria ser enviado a Jaquirana, outro, ficar por aqui mesmo para ser devolvido ao pó. Detalhe: um erro produz consequências, não deve ser subestimado. Há erros que causam quedas de avião com centenas de pessoas, ou o naufrágio do Titanic. A família que descobriu o corpo errado em Jaquirana ficou indignada, muito chateada. Tem razão. Ainda assim, um erro deve ser tratado inicialmente – sempre - sob o prisma da humanidade. Depois, que avance a sindicância, e que seus efeitos sejam aplicados com Justiça.

Neste caso da troca de corpos, inclui-se um fator adicional e que não deve ser menosprezado como causa de erro: o ajuste fiscal dos governos. Um representante do DML Caxias informou que há cinco servidores para trabalhar sob regime de plantão 24 horas. Falta gente, como falta para educação, saúde, segurança, e as demandas são inúmeras. Um erro, portanto, será sempre uma iminência. Pode uma das causas da troca de caixões não ter sido o ajuste fiscal, mas essa é uma possibilidade forte. De onde se conclui que, em se tratando da máquina pública, esses tais ajustes, economias e enxugamentos de custos causam sérios prejuízos à prestação de serviços até na hora de nossa morte. Amém!

Dá-se da mesma forma como cometer erros, inadvertidos ou não. É da nossa condição de humanidade. Não tem escapatória. Falhamos e erramos até na hora de nossa morte. Amém!

E que o juízo final nos seja leve e justo.

 
 

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