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Opinião26/11/2016 | 06h31Atualizada em 26/11/2016 | 06h32

Pedro Guerra: tem uma idade

Tem uma idade em que começamos a pensar que todas as outras idades foram um acúmulo de aprendizados

Pedro Guerra: tem uma idade Divulgação/
Foto: Divulgação

Tem uma idade em que começamos a pensar que todas as outras idades foram um acúmulo de aprendizados. O seu pai estava certo quando disse que estava e você não acreditou. A sua mãe disse que já tinha passado por isso e por aquilo e você nem mesmo deu importância. Tem uma idade em que todas essas coisas acabam se tornando óbvias.

Tem uma idade em que a festa do final de semana é trocada por um pijamão sem grandes discussões, que a segunda-feira se torna o dia favorito para sair de casa com a melhor roupa do armário e que o cabelo curto parece combinar mais, soar menos chamativo. Tem uma idade que você percebe que chamar a atenção é uma furada e tanto.

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Tem uma idade em que você começa a perceber que ele ou ela nem eram "tudo aquilo" e que, pra ser sincero, você nem estava tão afim assim. Tem uma idade em que o salto perde alguns centímetros, que a gola V se transforma em gravata, e que na geladeira só tem coisa sem graça pra comer – olá, saúde. Tem uma idade em que você nem mais sabe o que é brigadeiro de panela, milkshake, hamburguer do Mc Donald's e quer mesmo é voltar no tempo.

Tem uma idade em que o perfume não é mais importado, que o carro tão sonhado quando criança na verdade é um popular que te salva nas piores horas, que o arranhão no pescoço é do gato tipo animal mesmo, ou então do marido descuidado – e só. Tem uma idade que sexta-feira é sinônimo de descanso e que final do mês é sinônimo de fechar os olhos pra qualquer vitrine.

Tem uma idade em que você desejou ter essa idade. Tem uma idade em que parece que forjaram o seu bolo de aniversário – ontem mesmo as velas eram 18, hoje já chegam aos 42. Tem uma idade em que nada disso acima é chato, e que se soar chato é porque você apenas não chegou nessa idade ainda.

Tem uma idade em que tudo é divertido, e essa idade eu nem sei qual é. Talvez sejam todas as idades, e o que mude sejam as pessoas, os locais, os acontecimentos. Tem uma idade em que você começa a perceber que o destino é tão piada quanto Papai Noel – o destino mesmo é teu nome do meio, é você quem faz.

Tem uma idade em que acontece isso. Tudo isso. E olha que eu nem cheguei aos 30 pra saber do resto.

 
 

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