Pedro Guerra: nunca comi sushi - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião12/11/2016 | 06h30Atualizada em 12/11/2016 | 06h30

Pedro Guerra: nunca comi sushi

Prorrogamos tudo aquilo que é diferente por conta da velha e conhecida zona de conforto

Pedro Guerra: nunca comi sushi Antonio Giacomin/Divulgação
Foto: Antonio Giacomin / Divulgação

Como bom representante de família de origem italiana, sempre gostei de uma mesa farta com massa e polenta para acompanhar. O que dizer de tortéi e sopa de agnolini? Não dá para recusar. Quando surgiram com esse convite para comer sushi, então, a recusa foi imediata. Imagina que eu vou comer peixe cru! Onde já se viu? Eu gosto é de comida quente — assada, frita, cozida. De frio já basta o clima.

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A minha resistência persistiu durante anos, até que fui parar em uma casa japonesa dias atrás. Ainda meio perdido com os hashis e todos aqueles nomes confusos, encarei os tais rolinhos de arroz com alga. Para a minha surpresa (e de todos na mesa), a reação foi diferente daquela imaginada: eu gostei.

É incrível como nos precipitamos diversas vezes durante a vida. Sobre pessoas, comidas, ou quaisquer que forem os gostos. Eu, que nunca tinha sequer dado uma chance para o sushi, bradava que o prato não era bom. Ao contar para os meus pais que eu tinha encarado a comida, a pergunta foi uma só: "mas o que te motivou a comer?". Nem precisei pensar na resposta. Eu comi porque tentar é uma das palavras mais ricas do dicionário.

Se Santos Dumont não tivesse tentado colocar o 14 Bis no ar, ele nunca saberia que é possível fazer com que uma grande estrutura voe. Ao usar prata em um de seus experimentos, lá em 1826, Niépce criou a primeira imagem fotográfica permanente (o que será que ele diria das selfies?).

Estamos sempre procrastinando o novo, o desconhecido. Prorrogamos tudo aquilo que é diferente por conta da velha e conhecida zona de conforto. Para que me aventurar em um rodízio de sushis, onde eu nem sei se vou gostar (e ainda vou ter que pagar no fim), se o rodízio de pizza é uma das melhores pedidas? Vivemos diariamente apoiados no velho pretinho básico que nós mesmos criamos, pensando ser esta a única opção.

Certa vez, um professor do curso de jornalismo questionou a turma sobre qual área gostaríamos de nos aventurar. Confiante, respondi que um dia eu seria colunista de jornal. Lembro que o professor, entre um risinho e outro, falou que o meu sonho era quase impossível. Desde então, fiz aquilo que poderia me colocar exatamente no lugar que eu queria estar. Trabalhei, acreditei e tentei.

De lá pra cá, entre erros e acertos, duas coisas mudaram: hoje eu sou colunista — e também como sushi.

 
 

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