Ciro Fabres: os jovens de colete azul - Cultura e Tendência - Pioneiro

Versão mobile

Opinião09/11/2016 | 09h01Atualizada em 09/11/2016 | 09h01

Ciro Fabres: os jovens de colete azul

Essa experiência da ajuda gratuita é parte da realidade. O desinteresse é possível

Não sei que entidade era. Não consegui ler no colete azul celeste dos meninos e meninas na esquina do BIG, Ernesto com Dr. Montaury. Mas a cena chamou atenção, os jovens a se esmerar no apoio a moradores de rua ali na esquina. Levavam um copo de café quente, um sorriso, uma atenção. Poderiam estar em uma loja de conveniência de um posto de gasolina, afinal, era sábado, 10 da noite. Mas estavam ali, e o sentimento que o rosto deles estampava era de alegria por poder ajudar. Foi um belo flagrante nestes tempos tão inóspitos, de tanta indiferença, 131 assassinatos e agressividade sem fim nas redes ditas sociais. Até dei a volta no quarteirão, mas já não estavam mais. Assim eles se deslocam pela cidade, em endereços já conhecidos.

Leia mais
Ciro Fabres: o novo e aquilo que importa
Adriana Antunes: entre varais
Marcos Kirst: o espinho que cala as rosas
Gilmar Marcílio: sensibilidade demais...

Não são só eles, tem os grupos de apoio que percorrem pronto-atendimentos, nos hospitais, no Postão. Levam chá, café, um sanduíche. Em geral, são ligados a grupos e igrejas evangélicas, essas mesmas que são reduzidas pelo diagnóstico de uma certa leitura da realidade a um exército de seres manipulados, de cabeças feitas por espertos que se valem da fé em nome de interesses pessoais. Não que estes não existam. Mas o mundo evangélico é bem mais complexo e cheio de sutilezas. Eles também ajudam, e desinteressadamente, e isso não tem preço. Para os que amam o ceticismo, é bom saber que essa experiência da ajuda gratuita é parte da realidade. O desinteresse é possível. Para os jovens de colete azul celeste, não tem mau tempo ou sedução da modernidade que os afaste do propósito de vida que escolheram.

Quase simultaneamente, com horas de diferença, um empresário era assassinado durante um assalto e, em outro, houve reação e dois ladrões morreram. Mais três mortes. Houve até caminhada pedindo paz, e é de se lamentar que não se caminhe por todas as vítimas. Afinal, todas são vidas, muitas delas com antecedentes criminais fruto de más escolhas em algum lugar do passado, mas que não deveriam ter esse desfecho. A realidade é um mosaico, em que diferentes situações e contradições convergem em um mesmo momento e conspiram contra as leituras simplificadas, que dizem que o mundo não tem salvação. O mundo não é só notícia ruim. A realidade é árdua e hostil para a imensa maioria, excluída do grupo dos poucos privilegiados, mas está aí para ser transformada, bem além dos conformismos e das descrenças. Os jovens de colete azul mostram que ajudar e melhorar a realidade são uma possibilidade e uma escolha, a melhor de todas as escolhas.



 
 

Siga o Pioneiro no Twitter

  • pioneiroonline

    pioneiroonline

    Pioneiro.comFórum de Caxias do Sul não funciona durante o Dia da Justiça https://t.co/pKXVPahbDF #pioneirohá 30 minutosRetweet
  • pioneiroonline

    pioneiroonline

    Pioneiro.comAmistoso entre Grêmio e Flores da Cunha em 1986 https://t.co/Ki6vamPmJc #pioneirohá 30 minutosRetweet

Veja também

Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros