Bez Batti inaugura a mostra 'Piscianas', nesta sexta, em Caxias - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Artes plásticas11/11/2016 | 10h01Atualizada em 11/11/2016 | 10h01

Bez Batti inaugura a mostra 'Piscianas', nesta sexta, em Caxias

Escultor inspirou-se em sonhos recorrentes com peixes para criar nova série em basalto

Bez Batti inaugura a mostra 'Piscianas', nesta sexta, em Caxias Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Galeria Arte Quadros exibe, além desta coleção, trabalhos de diferentes épocas do artista Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS
Tríssia Ordovás Sartori
Tríssia Ordovás Sartori

trissia.ordovas@pioneiro.com

O escultor João Bez Batti dorme apenas três horas por noite. E, ao repousar a cabeça no travesseiro, não consegue afastar a mente da criação artística. Dos sonhos recorrentes com rio, água e peixes, idealizou a série Piscianas, cujas primeiras obras já podem ser visitadas em Caxias. A exposição com a transposição de figuras oníricas para o basalto inaugura nesta sexta, às 20h, na Galeria Arte Quadros e traz uma dupla celebração: o aniversário de 76 anos do artista e a homenagem à companheira de 50 anos de vida, Maria Schirley.

— Ainda me sinto um jovem arrastando um baú de esperança, com meus sonhos de pedra — diz.— Esses peixes são uma volta à felicidade — explica, mostrando a delicadeza de polimento das formas pontiagudas que produziu nas rochas.

Ao referenciar momentos felizes, o artista retoma lembranças da mãe. Recorda-se do pato que ela desenhava quando Bez Batti tinha três ou quatro anos, bem como do hábito de acompanhá-la ao ir lavar roupas nas margens do Rio Taquari. Esculpir a pedra, ainda, apesar das mais de sete décadas de existência, é uma atividade polissêmica, como se promovesse uma viagem no tempo:

— Preciso voltar sempre ao rio, ao menos uma vez por mês. É como juntar meus pedaços e voltar à infância — conta. — Tão rápido quanto o sonho é a felicidade. Eles são como o orgasmo, duram segundos — afirma.

Paralelamente às Piscianas, cuja confecção de obras pode levar anos — há nove delas na Galeria Arte Quadros, além de peças de outros períodos —, Bez Batti está fazendo uma releitura de Pablo Picasso, da qual pretende montar nova exposição. É possível perceber, desde já, algumas influências do espanhol na arte de Bez Batti, em algumas cabeças com formas cubistas. Também quer expor com o filho Diego, tatuador que vive em São Paulo e voltou a pintar e a quem atribui um talento nato. 

— O tempo está voando, o Natal já foi e precisamos pensar na Páscoa. Me sinto subindo a correnteza do rio, sei que não vou conseguir fazer tudo o que quero — relata, explicando que o processo produtivo inicia com esboços no papel, porque as esculturas dele sempre partem do desenho.

As mãos, no entanto, estão um pouco mais lentas do que os pensamentos e, aliadas à velocidade dos dias, lamenta ao imaginar que talvez não consiga realizar todos os projetos pretendidos. Ao mesmo tempo, celebra as conquistas.

— Nunca pensei que iria chegar até aqui. Meu segredo é a simplicidade, e parte do meu sucesso se deve a minha mulher. Quando eu esmorecia, ela me lembrava dos meus sonhos, sempre cuidou de tudo para que eu apenas pudesse criar — revela.

E quando sonha — e encontra alguém que o endosse — garante ter maior momento de liberdade. Está feliz, afinal, consegue viver de arte:

— Eu sou um milagre.


PROGRAME-SE

:: O que: exposição Piscianas, de João Bez Batti
:: Quando: abertura sexta, às 20h. Visitação até 16 de dezembro, em horário comercial
:: Onde: Galeria Arte Quadros (Feijó Júnior, 975 — São Pelegrino, Caxias do Sul)
:: Quanto: entrada franca

 
 

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