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Opinião01/10/2016 | 06h30Atualizada em 01/10/2016 | 06h30

Pedro Guerra: minha filha saiu de casa

Se a saudade bater, saiba que estaremos aqui, na Dante

Pedro Guerra: minha filha saiu de casa Antonio Giacomin/
Foto: Antonio Giacomin

Quem é pai nunca pensa que esse dia vai chegar. É aquele velho discurso do "parece que foi ontem" – que gestamos, que voltamos do hospital, que acompanhamos os primeiros passos. Mas o tempo tem tanta urgência quanto as pessoas, e por isso mesmo tudo acontece quando ainda não estamos preparados. Afinal, mesmo que nos preparássemos, quem é que gosta de despedidas?

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A minha filha já tem lá seus mais de 30 anos, mas sempre escutei atento os relatos daqueles pais que tiveram que lidar com despedidas precipitadas. Fato é que, no momento em que decidimos ter um filho, jamais pensamos em abandoná-lo. Permitir, anos depois, que nossos rebentos saiam de casa (mesmo não sendo um abandono ao pé da letra), é dar um voto de confiança — não para eles, mas para a força que carregamos dentro de nós.

Somos todos pais de alguma coisa. Toda e qualquer criação que entregamos ao mundo fica registrada, mesmo sem patente ou certidão de nascimento. Desde aquele feijãozinho plantado no algodão durante o tempo de escola, até a criação de um filho propriamente dito, somos todos gestores. A responsabilidade é a mesma, tendo nós dado a vida a um livro, a um projeto, a um produto, a uma criança, a um relacionamento.

Seja qual for a situação, nos custa ver partir aquilo que está enraizado em nossos dias, aquilo que ainda mantém vínculos. Choramos em velórios, choramos em assaltos, choramos em afastamentos, choramos porque a separação aviva a saudade, uma das palavras de mais severa definição.

Esquecemos que perder é renovar-se. Em momentos como este, o lado positivo deveria sempre ser o mais forte. Afinal, as nossas perdas sempre vêm acompanhadas de novas possibilidades e aprendizados – em toda noite escura, um novo amanhecer logo em seguida. Ao mesmo passo que somos todos pais, somos todos filhos. Sendo assim, de certo modo deveríamos estar prontos para momentos como este: um dia, tudo vai embora.

Hoje, a minha filha – que também é sua – saiu de casa. Hoje, a Feira do Livro de Caxias do Sul deixou a Praça Dante Alighieri.

Então vai, filha. Tenho a certeza de que você vai colorir outros cantos da cidade de qualquer forma, assim como tem feito até hoje. Se qualquer coisa der errado ou se a saudade bater, saiba que estaremos aqui, esperando você, na Dante. Na sua casa.

 
 

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