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Bate-papo na Feira do Livro14/10/2016 | 08h18Atualizada em 14/10/2016 | 08h18

Marcia Tiburi conversa com leitores nesta sexta-feira, em Caxias do Sul

Filósofa e escritora acaba de lançar novo romance, "Uma Fuga Perfeita é Sem Volta"

Marcia Tiburi conversa com leitores nesta sexta-feira, em Caxias do Sul Simone Marinho/Divulgação
"A literatura cria subjetividade, ela expande a nossa alma", diz a autora, para quem filosofia e literatura são solidárias no processo de criação do sujeito humano Foto: Simone Marinho / Divulgação
Maristela Scheuer Deves
Maristela Scheuer Deves

maristela.deves@pioneiro.com

Para a filósofa e escritora Marcia Tiburi, a literatura é mais do que um gesto ou uma ação estética: ela é um caminho pelo qual podemos produzir pensamento reflexivo e criar espaço para pensar melhor e melhorar o sentido das ações. Autora de mais de uma dezena de obras, incluindo Filosofia Brincante (2010), Como Conversar com Um Fascista (2015) e o recém-lançado romance Uma Fuga Perfeita é Sem Volta (Record, 616págs., R$ 74,90), ela vê a literatura como um meio de subjetivação.

— Subjetividade significa alma, a instância psíquica onde sentimos e pensamos. Em termos simples: a literatura cria subjetividade, ela expande a nossa alma — analisa, defendendo o diálogo entre literatura, filosofia e política, temas do bate-papo do qual ela participa nesta sexta-feira, às 19h, na Biblioteca Parque, dentro da programação da 32ª Feira do Livro de Caxias do Sul.

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Na análise da doutora em Filosofia, o cenário em que vivemos exige que se fale muito sobre cada um desses ramos:

— Não há filosofia suficiente para dar conta das questões atuais. Ela também pode se tornar precária diante dos desafios do mundo, e precisa de apoio de outras formas de linguagem, de outros meios de questionamento. 

Mais do que parecidas, diz, filosofia e literatura são solidárias no processo de criação do sujeito humano, com grande potencial de transformação do mundo. A diferença básica entre os dois campos seria que o primeiro leva ao diálogo com o próprio texto e suas questões, enquanto o segundo atua em nossa sensibilidade, promovendo identificação. Mas ambos providenciariam tempo para pensar, algo muito necessário em nossa época.

Com um livro recém-lançado que trata de angústias e questionamentos (leia mais abaixo), Marcia garante que as questões que lhe preocupam são as mesmas que tocam seus leitores:

— Vivemos em uma época em que nos sentimos sem lugar, perdidos, abandonados, solitários, esquecidos. A sensação de estar desgarrado de um rebanho não é incomum. Nosso mal-estar psíquico se traduz em desconforto no espaço e no tempo. 

Como professora de filosofia, ela relata que se esforça por pensar nisso tudo, que vê como uma forma de sentir típica do nosso tempo.

— Mas como a filosofia não resolve tudo, nem consegue expressar tudo, eu escrevo romances que, espero, possam afetar a sensibilidade de nossa época — finaliza.

Novo romance faz metáfora da vida

Em Uma Fuga Perfeita é Sem Volta — cuja recepção foi tão boa que em duas semanas exigiu uma nova tiragem —, o protagonista, Klaus, mora sozinho em Berlim e está há anos sem contato com a família no Brasil. Num telefonema para a irmã, descobre que o pai morreu há meses, o que o leva a uma série de questionamentos e autoavaliações.

— Meu romance é cheio de metáforas. É também, no seu todo, uma metáfora da vida como um tempo de experiências possíveis, dolorosas em níveis diversos, mas também como um caminho a seguir, uma grande transposição — explica Marcia.

A intenção, diz, era que a história ajudasse a questionar caminhos, lugares, modos de ser e de proceder:

— Klaus é um sujeito que experimenta uma fuga, da família, da sociedade, da cidade, e que encontrará uma saída para si mesmo a partir de um confronto com sua própria dor.

Embora seja ficção, o livro retoma temas já tratados no ensaio Como Conversar com Um Fascista.

— Ambos tratam, de modos diferentes, dos conflitos e vicissitudes da incomunicabilidade humana. O ensaio nos coloca diante do consumismo atual da linguagem, esse falar sem ter nada a dizer, essa falta de escuta que experimentamos no dia a dia. A mesma questão é elaborada no romance, mas de um modo literário, em que os argumentos são mostrados a partir da vida de um personagem com o qual os leitores podem se identificar. 




 
 

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