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Opinião06/10/2016 | 09h02Atualizada em 06/10/2016 | 09h03

Francisco Michielin: os livros em pé de guerra

Os livros são mágicos, nos fazem levitar 

Francisco Michielin
Francisco Michielin

franmcf@terra.com.br

Ora, livros são para ler e jamais para esgrimir. Por favor, não se espantem. Vocês devem saber do que eu estou falando. Há um conflito zunindo feito mosca varejeira. Mas, as aparências não só enganam. Ou, como dizia Pirandello: "assim é se lhe parece". Desse modo criamos nossas ilusões. É o caso dos livros: eles nos fazem enveredar por um mundo de fantasias. Com eles viajamos, damos asas à imaginação. A leitura amansa nossas tensões e amacia nossos corações. Particularmente, eu não conheço outra fonte capaz de jorrar tanta inspiração e verter caudalosos momentos de lazer. Nela, mergulhamos em imensos mares oníricos. De bom grado, nos deixamos levar por essas generosas correntes sem nos preocuparmos com a oscilação das ondas.

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Somos cativos e fiéis companheiros de navegação de longo curso, tangidos por um magnetismo hipnotizante. É isso aí e por aí: os livros têm efeitos mágicos, nos fazem levitar. Desculpem se fico jogando palavras ao vento. Todavia, não sem causa. Fortes ventanias sopraram ruídos tempestuosos. A meteorologia livreira da cidade andou anunciando previsões de vendavais e ciclones.

Os céus se toldaram de nuvens escuras e sobrevoados por pássaros agourentos. Do contrário, como admitir uma Feira do Livro radicalizada, na qual as tribos envolvidas se declararam em estado de guerra? E nada de dar o primeiro passo para assinar o armistício e fumar o cachimbo da paz. Logo no mais fácil meio de alcance cultural que um povo possa dispor, bastando tirar o pó de um exemplar da prateleira e principiar a folhá-lo.

Cá prá nós: não ficou nada bem essa encrenca a respeito do local ideal para a grande festa literária. Aliás, pegou mal. Aqui e agora, não importa quem tenha razões. Provavelmente elas estejam "fatiadas" entre os contendores. A verdade está no meio, proclamava sabiamente o poeta Dante Alighieri. Todavia, o único que não mereceu ter sido impiedosamente machucado responde pelo singelo nome de livro. E ele foi tratado como mero ator coadjuvante quando, na realidade, é o personagem principal.

Prevaleceram a discórdia e as divergências acima do interesse comum. Uma pena. Porque, como citou Andrés Maurois, "o livro fala e a alma responde". Ou como enfatizou magistralmente o dominicano francês Larcodaire: "para sermos felizes precisamos de três coisas – a bênção divina, os amigos e os livros". E não esqueçamos que o fabuloso argentino Jorge Luiz Borges idealizava o paraíso como sendo uma enorme livraria.

Resta esperar o desfecho e apurar o balanço final na expectativa de achar o rumo certo, com a esperança que o bom senso comova e convença as pessoas, pois a aprovação popular já acendeu a luz do sucesso. Com essa folia toda, Monteiro Lobato deve estar se revirando no túmulo. Pois não foi ele quem disse que um país se faz com homens e livros?

 
 

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