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Opinião18/10/2016 | 15h42Atualizada em 18/10/2016 | 15h42

Adriana Antunes: cozinhar nos ensina a amar

Cozinhar nos ensina que é preciso tempo para viver um amor e sabedoria para aceitá-lo

Dessalgar, desossar, cozinhar muito rapidamente, somente até a água ferver, separar todos os ingredientes que migrarão felizes para a panela, já preparada com cebola pré-dourada, manteiga e pedaços discretos de pimentões verdes, amarelos e vermelhos. Preparar bacalhau é algo que demanda tempo, paciência e agilidade. É fundamental ter os ingredientes de boa qualidade e já organizados sobre a mesa. É preciso saber a receita e o que se espera do prato. Cozinhar é novidade, mas é também tradição. Você pode até arriscar trocar um ingrediente, um tempero, acelerar o tempo de cozimento ou mudar a ordem do que vai à panela.

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Cozinhar não é forma rígida de se viver, mas esteja aberto para frustrações, surpresas, erros e acertos, claro. Você pode testar sozinho, mas o bacana de se cozinhar é cozinhar para alguém. Comida é amor, é afeto, é dedicação, é aceitação, é troca, é experimentação constante.Cozinhar nos ensina a importância do paladar, do respeito ao tempo de cozimento, do cuidado na escolha dos ingredientes, na alegria da preparação da mesa, na escolha de um bom vinho, no silêncio das bocas satisfeitas e no humor que rege o estômago pós-refeição. Cozinhar nos ensina a tolerância, a necessidade de adaptar-se e a reconhecer a importância de também saber nutrir. Cozinhar é entregar-se ao outro, mostrar as qualidades e as fragilidades, os medos e os desejos. Cozinhar é confiar. A cozinha nos torna mais corajosos, mais adultos, mais amorosos. Os aromas funcionam como palavras impressas, são exalados como se estivessem vivos e vão nos modificar.

Amar alguém é muito parecido com a arte de cozinhar. Quando cozinhamos (ou amamos) iniciamos um outro ciclo de vida. Cortamos o peixe, picamos os temperos, maceramos o coentro e depois do primeiro beijo, damos vida a algo novo, diferente. Amores são receitas não escritas, e por que não sabemos onde vai dar, tudo vira possibilidade.

Se você já escolheu alguém com quer ficar para o resto da vida (mesmo que isso soe romântico demais), cozinhe como alguém que deseja isso. Descubra o universo que envolve a culinária, escolha um bom vinho como quem convida um velho amigo para jantar e doe-se. O amor nos ensina a arte de entregar-se. Sou uma romântica inveterada, acredito que todo mundo precisa de um amor, de um lugar à mesa e de um rosto satisfeito, onde possamos ancorar toda a poesia que pertence ao fogo aceso do fogão, às panelas fumegantes e à cumplicidade da primeira garfada.

 
 

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