Matheus Nachtergaele ritualiza o suicídio da mãe em espetáculo - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Teatro29/09/2016 | 10h00Atualizada em 29/09/2016 | 10h00

Matheus Nachtergaele ritualiza o suicídio da mãe em espetáculo

'Processo de Conscerto do Desejo' estará na Casa de Cultura sexta-feira

Matheus Nachtergaele ritualiza o suicídio da mãe em espetáculo Marcos Hermes/Divulgação
Foto: Marcos Hermes / Divulgação

A distância entre a dor da morte e o arrebatamento pode assumir outra dimensão: do afeto que se encerra em gestos que ritualizam a vida. Processo de Conscerto do Desejo, que o ator Matheus Nachtergaele encena amanhã, às 20h, no Teatro Pedro Parenti, é uma cerimônia cênica da morte de sua mãe, Maria Cecília, que se suicidou quando ele tinha três anos, intercalada pelas leituras dos poemas dela e de músicas que ela gostava. É filho que abraça a maternidade, parindo redenção.

— Desde os 16 anos carrego os poemas de minha mãe, pensando em como levá-los ao palco. E o teatro é essa oração pagã, essa missa profana de livre pensamento em que posso exercitar a saudade — diz Matheus, que também dirige a peça.

Acompanhado por dois músicos no violão e violino, Matheus sugere uma transmutação cênica. Ora ele é mãe, ora é filho.

— Estou vestido como Maria Cecília. A peça é feita por nós dois juntos. É sobre o espanto diante da tragédia humana. Hoje, politicamente, financeiramente e afetivamente estamos nos jogando para a morte dia após dia — afirma em tom de desabafo.

A densidade da trama que vem sendo encenada pelo Brasil desde novembro do ano passado abre veredas para a comoção.

— Sinto que, cada vez mais, Maria Cecília está deixando de ser uma cicatriz. Enquanto era ferida aberta, não podia fazer esta peça. Agora, depois do ímpeto inicial de falar sobre suicídio, podemos sair fortalecidos e extasiados — pondera ele.

A dádiva da purgação pela arte é algo que ele experimenta desde a antológica montagem de O Livro de Jó, de 1995, com o Teatro da Vertigem, e a não menos visceral Woyzeck, de 2003.

— Sou um ator que acredita na urgência do ofício. Fazer teatro é um ato político e definitivo. Hoje em dia, um dos poucos lugares para a verdade, apesar da farsa, é o teatro — afirma ele, que está começando a gravar a minissérie Filhos da Pátria, na Globo.

Os ingressos estão à venda no Sesc e no teatro a R$ 10 para comerciários e dependentes, R$ 15 para empresários e dependentes com cartão Sesc/Senac, estudantes, idosos e classe artística, e R$ 30 para o público em geral. 

 
 

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