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Lançamento27/09/2016 | 09h22Atualizada em 27/09/2016 | 09h32

CCOMA lança disco que aproxima sonoridade do Sul ao Brasil solar

'Subtropical Temperado' tem faixas com vocais e bugio dos Bertussi 

CCOMA lança disco que aproxima sonoridade do Sul ao Brasil solar Guigo Dedecek/Divulgação
Foto: Guigo Dedecek / Divulgação

Primeira informação sobre o novo disco de Luciano Balen e Beto Scopel: eles não são mais um projeto. São uma afirmação: CCOMA. Ser projeto interessa pouco. Definir-se é melhor. Com o nome de Subtropical Temperado, o disco será lançado virtualmente nesta quarta-feira, pelo selo Natura Musical. Ser sulista e ser tropical é a nova plataforma do duo.

O trabalho tem dez faixas, nove cantadas, uma instrumental. Mais uma diferença de agora para antes. Antes, o bit era o beat do CCOMA. Agora, a batida segue atenta aos bytes e segue plugada à música eletrônica – coisa que o grupo saudou de forma vanguardista há uma década na cena caxiense. O novo é a disposição para muitas conversas: com outras linguagens, com a tradição, com a invenção, com o público.

— O grande mote do disco é o diálogo — diz Balen.

— A gente quer ser entendido, fazer com que esta música boa, bem feita, dialogue — expande Scopel.

Para tanto, são muitos os trunfos do disco. A presença da cantora Etiene Nadine — na regravação de Aprendendo a Jogar, em Mira-me, Hecha la Ley, Quase Profeta e Aço-Pessoa, esta com versos de Dinarte Albuquerque Filho – é um deles.

Há, ainda, uma profusão de sons e efeitos, de ruídos de fábrica a cigarras e pequenas ousadias de grande importância, como a recriação de Casamento da Doralice, de Honeyde Bertussi e Adelar Bertussi, carregada de efeitos eletrônicos. Uma gaita e um bugio tri sulistas agora ressoam para as pistas do mundo.

Por isso sub é a soma do Sul à equação tropical e novidadeira que a MPB sempre ofereceu ao mundo.

— O CCOMA não é mais experimental, temos certeza do que estamos fazendo — diz Scopel, que assina com Balen a produção do disco.

As muitas transições de climas sonoros e de misturas estéticas saúdam Marcos Valle, Azymuth, Björk, Donna Summer e Jean Michel Jarre. Uma mistura que, como diz a faixa Maquina Latino Americana de Ritmo, soa como um transgênero musical.Essa estética comporta um conceito mais palatável ao maior número possível de ouvintes. Ser comercial, talvez?

Balen e Scopel, que além da cantora Etiene também integraram o baixista e acordeonista Rafael de Boni à formação básica deste trabalho, sabem que transitam por duas vias: podem decepcionar quem já conhecia o CCOMA, mas certamente podem ampliar seu público.

—A gente sempre assumiu este risco, está intrínseco — pensa Scopel.

— O risco maior é olhar para trás e não ter quisto conversar com o público. Mas o disco está cheio de provocações — acrescenta Balen.

Então, carregado de aforismas eletrônicos, batendo cabeça para milongas, bugios, polkas, salsas e pop, o quarto disco da formação é um bolicho de beira de estrada, cravado na Mulada, com wi-fi aberto para a América Latina, e download de um Brasil que se descobre potente entre guitarradas e gaiteiros.

É, também, provocação aos caxienses para o trânsito do aço à pessoa. Um disco feito em muitas manhãs destes últimos dois anos. Recai ao CCOMA a expectativa derivada da conquista do Prêmio da Música Brasileira em 2013 com Peregrino. Os primeiros shows nacionais serão na MIMO – Mostra Instrumental de Música de Olinda –, em Paraty e no Rio, em novembro.

Assim e por isso, Subtropical Temperado parte do trópico triste, para saudar novas possibilidades estéticas, sonoras e culturais.

— Queremos mostrar ao Brasil que a gente é latino. A gente passa seis meses do ano sem ver o sol. Queremos o sol, queremos as misturas, queremos a alegria — diz Balen.

Ouça o disco aqui.



 
 

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