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Esportes23/07/2016 | 08h04Atualizada em 23/07/2016 | 12h44

E nós tivemos Olimpíada

Médico e escritor Francisco Michielin recorda dos jogos que agitaram Caxias em agosto de 1952

E nós tivemos Olimpíada Porthus Junior/Agencia RBS
Médico juventudista Francisco Michielin tinha nove anos em 1952 e recorda de toda a movimentação da cidade em torno das Olimpíadas Caxienses. Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Eu ainda me lembro, sim. É verdade que eu não passava de um piá com meus nove anos de idade, enquanto transcorria o ano da graça de 1952, mas a memória conservou lembranças inesquecíveis, embora esmaecidas pelo tempo, assim como uma fotografia que amareleceu. Nossas diversões eram restritas aos folguedos infantis, aos matinês de cinema e muitos chutes na bola nos terrenos baldios e no meio das ruas, onde raramente passava um carro por hora, sobrando pouca coisa para os adultos.

No entanto, naquela época, um grande evento global concentrava todas as nossas atenções: os Jogos Olímpicos de Helsinque. Foi lá que Adhemar Ferreira da Silva conquistou a medalha de ouro vencendo o salto triplo. Muitos anos mais tarde, visitando aquele estádio, me emocionei profundamente ao ver o seu nome inscrito no painel dos campeões.

Uma Olimpíada agita Caxias do Sul em 1952

Oscar Boz e o filme original das Olimpíadas Caxienses de 1952

Com tamanha empolgação se alastrando pelos nossos lares, o arguto Nestor José Gollo – então chefiando o Departamento de Esportes da Rádio Caxias – teve a lucidez para "inventar" uma olimpíada caxiense. Evidentemente, a cidade pegou fogo e ficou em polvorosa. Clubes e colégios prontamente aderiram à iniciativa, encarando o monte de modalidades propostas. Algumas, desconhecidas ou nunca praticadas, forjaram atletas improvisados e que até que se saíram bem.

Vocês devem imaginar nossos "gringões" arremessando peso e lançando martelo, pensando que fossem o dos pedreiros. Mas a mocidade era dinâmica e havia quem corresse movido a bastante velocidade nas pernas. As graciosas moças eram boas no vôlei. E os rapazes se multiplicavam em sua polivalência e ecletismo, tentando vencer o máximo de competições. Bicicletas voavam, nadadores se consagravam nas piscinas e saltadores subiam nas alturas. Deliciadas, as plateias eram generosas em seus aplausos.

Eu não esqueci: foram dias maravilhosos, pavimentados pela cidadania e solidariedade. A gente corria de uma cancha para outra, em congraçamento, a fim de acompanhar todas as disputas em liça. E como não relembrar da cerimônia de abertura, até com fogo simbólico, coroado pelo desfile monumental dos participantes? A praça encheu-se de alegrias. Só faltou falar grego. E nós todos nos sentimos tão felizes como numa infindável tarde de circo.

Francisco Michielin, médico e escritor


 
 
 

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