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Entrevista06/06/2016 | 08h08Atualizada em 06/06/2016 | 09h09

Leticia Wierzchowski fala de novos livros e de oficina em Caxias do Sul

Obra juvenil e final da trilogia "A Casa das Sete Mulheres" são os próximos lançamentos da escritora

Leticia Wierzchowski fala de novos livros e de oficina em Caxias do Sul Carin Mandelli/divulgação
Mesmo com 25 livros publicados, Leticia conta que ainda se sente nervosa ao se ver diante de uma nova história Foto: Carin Mandelli / divulgação
Maristela Scheuer Deves
Maristela Scheuer Deves

maristela.deves@pioneiro.com

Leticia Wierzchowski gosta desafios. Aos 44 anos e com 25 livros publicados, a escritora — que ainda este mês ministra, em Caxias, a oficina A Alegria da Escrita — prepara-se para o lançamento de seu primeiro livro juvenil, que tem como título provisório O Primeiro e o Último Verão. As novidades, porém, vão além: em 2017, Leticia encerra a trilogia iniciada com A Casa das Sete Mulheres.

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— É bom voltar ao romance histórico. Estava com saudade de pesquisar universos, de voltar no tempo, de criar um mundo de novo para o leitor — diz a escritora.

Aliás, mesmo passados 14 anos do lançamento de A Casa das Sete Mulheres (que virou minissérie da Globo em 2003), esse segue sendo o maior sucesso dentre seus quase 15 romances, 10 livros infantis / infanto-juvenis e um volume de contos. A obra ganhou edições em Portugal, Itália, Grécia, Espanha, Alemanha, Sérvia e Montenegro e França, e está saindo na Croácia. Sua sequência, Um Farol no Pampa, também já saiu na Espanha e na Sérvia e Montenegro.

Nesta entrevista, Leticia fala um pouco de sua carreira, de seus projetos e da situação da literatura no Brasil. 

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Confira a entrevista:

Como é o novo livro, e quando ele será lançado?

O livro, com título provisório de O Primeiro e o Último Verão, é para uma galera de 12 anos pra cima. É a história de uma personagem, a Clara, sua família e seu grupo de amigos durante uma temporada de verão. Uma novela sobre a descoberta do amor, sobre a virada que a gente dá quando deixa de ser criança. Acho que sai ainda este ano pela Editora Globo.

Por que a decisão de escrever para o público juvenil?


Na verdade, foi uma proposta da minha própria agente literária, a Lucia Riff, visto que os livros juvenis são um segmento que está crescendo muito na literatura nacional. E era uma voz, era um tipo de personagem que eu nunca tinha abordado, estive sempre de um lado ou outro, lidando com histórias infantis ou adultas. Então, aceitei o desafio — e me diverti. Acho que ficou bem legal.

Você também está se preparando para finalizar a trilogia iniciada com "A Casa das Sete Mulheres". Quando sai o novo romance, e o que os leitores podem esperar dele?

É verdade, e isso me deixou bastante feliz. Depois de tantos anos, achei a ideia pra fechar a trilogia. Vai sair ano que vem.Mas o resto ainda é meio segredo (risos). Publiquei A casa das sete mulheres há 14 anos; é um bom tempo pra terminaro arco narrativo de toda a história. E é bom voltar ao romance histórico. Meu último livro nesse gênero foi Uma Ponte para Terebin, 2006. Estava com saudade de pesquisar universos, de voltar no tempo, de criar um mundo de novo para o leitor — pois o romance com fundo histórico tem a obrigação de situar o seu leitor no tempo da narrativa, só assim ele é bem sucedido.

"A Casa das Sete Mulheres" já foi publicado em sete países, e está indo para a oitava tradução, na Croácia. A que você atribui o sucesso mundo afora dessa história, que, a princípio, teria uma conotação regional, por se passar durante a Revolução Farroupilha?

Um pouco, é a série da Globo. Mas, na Alemanha, por exemplo — um dos países nos quais o livro teve maior venda —, a série não passou. Acho que tem uma coisa da guerra olhada pelo ponto de vista das mulheres. A guerra sempre foi terreno masculino, que seduz as pessoas.

Como você avalia as quase duas décadas de sua carreira literária?

Digamos que me diverti. Eu escrevo porque amo, mas preciso viver do que escrevo: assim, equilibro trabalhos onde a palavra é a linha-mestra. Mas o romance sempre foi a minha grande alegria, a minha exaltação particular. Há dois anos, comecei a ministrar oficinas. Tem sido muito interessante o convívio com pessoas que gostam de escrever, de ler, que amam as palavras. É um bom contraponto à solidão da ficção, pois um autor, para escrever um romance, precisa de milhares de horas de solidão. Quem não sabe ficar sozinho atrás de uma mesa, não escreve um romance. Mas, olhando a caminhada que percorri, fico contente. Tudo parece como no começo, diante de uma história nova, ainda me sinto nervosa!

A recém-divulgada pesquisa Retratos da Leitura no Brasil mostrou que o brasileiro ainda lê pouco, e que muitos não leem. Qual o papel do escritor nesse contexto?

Devemos divulgar a leitura, sair pra rua, pras salas de aula, pros bate-papos. Ler não é apenas instrutivo, é um divertimento. Só não lê quem nunca leu. Mas o nosso país está longe do ideal em tantos parâmetros — sem acesso à saúde como deveria, com tantos problemas na área da educação. Estamos trabalhando, estamos construindo. E os autores têm de se envolver nisso, cada um ao seu modo. Acredito também que os bons livros são sementes, fazem pensar, abrem os horizontes. A literatura sempre terá a função de ajudar o homem a não retroceder, a não se entregar ao pragmatismo dos especialistas, que veem algumas coisas em profundidade, mas ignoram o mundo que os rodeia — palavras do Vargas Llosa. Então, temos de ajudar as pessoas a não esquecerem a sua humanidade, e a ficção faz exatamente isso: nos ajuda a ver com os olhos do outro, isso acontece a cada vez que entramos na pele de um bom personagem.

E como você avalia o cenário da literatura brasileira neste momento?

Como o resto, o mercado literário está recessivo neste momento. Mas é preciso olhar em frente. E trabalhar num esforço coletivo por um futuro melhor. Sem livros, o futuro será pior.

A pesquisa também mostrou que, embora 40% dos entrevistados goste de escrever no tempo livre, apenas 24% diz gostar de ler livros. É possível escrever bem sem ler?

Escrever e ficcionar são coisas diferentes. De fato, não é possível gostar de escrever e não gostar de ler. Sempre que lemos,melhoramos, não só a nossa escrita, mas as nossas ideias, o nosso modo de pensar, lapidamos o nosso raciocínio. Nas oficinas,mostro muito isso: o melhor modo de aprender a escrever um bom romance é lendo bons romances.

Por fim, qual o papel de uma oficina literária na formação do escritor?


Nas minhas oficinas, gosto de compartilhar dúvidas — acho que as dúvidas é que nos levam adiante, nos desassossegam.Mas olhar o modus operandi de um escritor, ver que existe — nesta aventura meio impalpável que é escrever — um caminho possível, uma organização que ajuda a orientar a criatividade, canalizá-la — bem, isso ajuda bastante.

A OFICINA:
O que:
oficina A Alegria da Escrita, com Leticia Wierzchowski, abordando aspectos como personagem, narrador, tempo e espaço
Quando: nos dias 24 e 25 de junho (sexta à noite e sábado pela manhã e à tarde) Quanto: R$ 300, parcelado em até três vezes
Informações: na Do Arco da Velha Livraria e Café, pelo telefone (54) 3028.1744

 
 
 

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