Sociedade por João Pulita - Colunas do João Pulita - Sete Dias: agenda cultural, shows, exposições e mais
 
 

SOCIAL07/10/2020 | 06h10Atualizada em 07/10/2020 | 06h10

Sociedade por João Pulita

Veja a coluna social desta quarta-feira!

Sociedade por João Pulita Arquivo Pessoal / Divulgação/Divulgação
Maria Helena Sartori Postiglione e Mário Postiglione, domingo, quando a família aplaudia mais um aniversário do filho Marcelo Sartori Postiglione, em reunião familiar, no Villa Bella Exclusive Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação / Divulgação

"Cada escolha, uma renúncia." - Gabriel André Pagliarin

Berço

Nasceu segunda-feira, dia 5, a esperada filha da médica Mayara Reis de Oliveira e do empresário Michael Augusto Bonatto. A chegada menina que atenderá pelo nome de Isabella Oliveira Bonatto é a alegria dos avós Aloir Neri de Oliveira e Maria Lúcia Triches dos Reis de Oliveira e, de Valdir Bonatto e Nelsi Maria Trentin Bonatto. A mais nova princesa do clã terá como padrinhos de batismo, os tios Aloir de Oliveira Júnior, Thairine Reis de Oliveira e Giorgio Canuto.

Clique e confira outras edições da coluna social de João Pulita

Maria Clara Preuss, em um look de Lis Faria, celebrou seus 15 anos, em casa Foto: Rafael Jober / Divulgação
Daniela, Augusto, Isadora De Rocco Giacomoni e Maurício Giacomoni, na festa temática “Masha e o Urso” para entoar o parabéns ao redor dos 3 aninhos de Isadora Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação
Elton Augusto Rockenbach, Márcia Sostisso Rockenbach e Otávio Augusto Rockenbach juntos em festa intimista para aplaudir os 15 anos de Vitória Foto: Jucimar Milese / Divulgação
Vitória Rockenbach foi o centro das atenções do pai, Elton, da mãe, Márcia e do mano, Otávio, sábado, quando comemorava a chegada de seus 15 anosFoto: Jucimar Milese, / Divulgação

.

Há multidões em mim!

Lilian ScortegagnaFoto: Bernardo Motti / Divulgação

A dedicada mãe de Anna Valentina e da Ana Catharina, Lilian Scortegagna, é psicóloga, graduada pela UCS, professora e escritora. Tem formação em Terapia do Esquema pela Wainer Psicologia Cognitiva, com certificação internacional pela International Society of Schema Therapy. Atualmente tem se dedicado também ao estudo da terapia focada na emoção e Terapia de Aceitação e Compromisso. Investigadora e curiosa, trabalha com vínculos, amor e humor também com adolescentes e adultos em psicologia clínica e crianças, em projetos sociais voltados ao desenvolvimento biopsicossocial. Nossa entrevistada é facilitadora de workshops e palestras voltadas a temas de saúde. Nos últimos anos escreveu os livros “Baralho Interativo de Esquemas e Modos” e “As sete cabeças de Otávio”. Atualmente Lilian supervisiona colegas e coordena grupos de estudos. Conheça um pouco mais da visão inovadora que Lilian aborda na psicologia!

Qual sua lembrança mais remota da infância e que paralelo você faz com a das suas filhas? No colo de minha mãe Amabile, enrolando o cabelo entre os dedos. Minhas filhas, Anna Valentina e Ana Catharina, fazem da mesma forma. A caçula, procurava os cabelinhos para enrolar aos oito meses (detalhe, fazia o movimento sem ainda ter o cabelo para enrolar!).

O que é o bom da vida? É, por vezes, desfundir-se da mente barulhenta e entregar-se aos pequenos prazeres, como apreciar o pôr do sol, saborear um café, perder-se observando quem amamos dormindo, dar um cheiro no cangote das filhotas, um cafuné, um abraço demorado. 

Qual a passagem mais importante da tua biografia e que título teria se fosse publicada? A maternidade. Para mim foi e é a experiência mais maravilhosa e exigente que poderia citar. Ser responsável por dois seres humanos, completamente dependentes, nos faz entrar em contato com a nossa mais profunda vulnerabilidade e a nossa mais corajosa força. Considero um amor tão imenso que ás vezes dói. Acho que um bom título seria: O amor que cura.

Se pudesse voltar à vida na pele de outra pessoa, quem seria? Estou certa que ainda não explorei o suficiente desta pele que habito. Como diria Nietsche: há multidões em mim, e eu ainda quero conhecer todas! Acho que esta missão já me basta.

Gostaria de ter sabido antes... dos meus esquemas emocionais, padrões pelos quais nos vemos e vemos o mundo. Teria me direcionado para decisões mais assertivas. 

Se tivesse vindo ao mundo com uma legenda ou bula, o que conteria nela? Mulher, mãe, companheira, psicóloga e professora. Indicações: Viagens rumo à essência, conexões verdadeiras e profundas para uma vida mais plena e significativa. Contém: Determinação, amor, humor e tantas outras emoções. Contraindicações: alérgicos à mudança. 

Como foi no início da sua carreira e por que decidiu pela Psicologia? Começou com uma pergunta, ou, eu diria, “A pergunta!” O que eu gostaria de estar fazendo sem pensar em remuneração? A resposta Psicologia veio fácil, pois desde pequena tinha uma inclinação para a ciência e uma curiosidade imensa sobre os mistérios da mente. Tanto que já frequentava cursos com a minha querida irmã e também psicóloga Paula Scortegagna Balen. Era meu hobby. Eu também sabia que uma profissão sem o viés de contribuir socialmente não me realizaria. Quando tomei a decisão real de ir para psicologia estava em uma empresa internacional, com uma carreira promissora e tinha um bom relacionamento com todos, porém algo me faltava. Mudar de rumo, voltar a ser estagiária me exigiu coragem, mas valeu cada momento. Hoje me sinto realizada na profissão, considero esta escolha um verdadeiro “divisor de águas”.

Vivemos em um país com um abismo socioeconômico. De que forma considera que o psicólogo pode influenciar o meio social em que atua para uma sociedade mais justa? A psicologia ajuda a ver o que nos une, o conceito de humanidade compartilhada. Não existe raça, credo, dogmas ou preconceito quando falamos em emoções. E quanto a isso não há distinções, todos são dignos, independente do complexo de inferioridade ou superioridade que tenham sido desenvolvidos ou incutidos na mente de cada um. A psicologia tem, entre tantas, a missão de auxiliar a desarmar tais complexos ou armaduras. O que possibilita uma visão social mais inclusiva e justa. Tem-se o entendimento de que é um processo, e de que existe uma força interna muito poderosa que nos incita a manter padrões, mesmo que eles já não façam mais sentido e gerem sofrimento.

Uma dica para quem deseja estreitar os vínculos afetivos durante o isolamento social? Muitos estudos provam que em situações desafiadoras o nosso sistema de apego fica ativado. Além disso, a mais extensa pesquisa já realizada em Harvard revelou que o segredo da felicidade está em manter boas relações sociais. Então, apesar deste isolamento e de limitações quanto a encontros, quando estiver junto dos seus, invista na presença, aquele “olho no olho” mesmo que de forma virtual. Você já reparou que nós humanos temos a parte branca do olho muito maior que os outros animais? Assim procuramos perceber se o outro está realmente conosco. Nós somos caçadores de olhares. Precisamos do outro para nos enxergarmos, nos espelharmos e até mesmo para nos conhecermos. Então procure conectar com seus amigos, filhos, parceiros dando a eles seu tempo e seu olhar. 

Como se mantém atualizada na sua profissão? Estudo, leio muito e participo de vários cursos. Porém, confesso que o momento em que mais aprendo é quando ensino.

Como manter a mente saudável em meio ao caos? Poderia aqui citar inúmeras atividades, como autoconhecimento, exercícios físicos, yoga, boa alimentação, manter contato com amigos e familiares. Porém, existem ainda três questões que devemos levar em consideração quando pensamos em uma vida significativa e saudável.  1) Consciência, no sentido de awareness. Embora não tenhamos uma tradução satisfatória para esta palavra em português, ela fala de uma consciência atenta, onde se está percebendo o que acontece em si e no entorno. Não é tarefa fácil para uma mente barulhenta, mas com certeza, é a chave para solução de muitas dificuldades e dores humanas.  2) O poder do vínculo seguro, sobre este tema temos estudos robustos justificando a importância dos relacionamentos para a co-regulação emocional. Ter alguém que sabemos poder contar é medicina poderosa para a saúde como um todo. Para quem quiser saber mais, recomento a leitura de Bowlby e Mary Aisworth. 3) Ações baseadas em valores. Existem valores que são centrais para um indivíduo, porém a maioria das pessoas não tem um conhecimento verdadeiro de quais são os seus. Saber os próprios valores e ter ações comprometidas com os mesmos, proporciona um senso de segurança. Quando tudo está girando, é sempre bom termos um eixo consistente para contar.

O que a motivou a engendrar pelo mundo da literatura com o lançamento do livro “As sete cabeças de Otávio”? Um resgate necessário. Lembro de ser uma contadora de histórias desde muito pequena. Na quarta série escrevi um livro de suspense sobre vampiros. Porém, fui convencida precocemente de que havia matérias “mais importantes” a serem estudadas. Acredito que isto diga respeito a mais um sintoma de um sistema social e de ensino que não estimulava ou valorizava a criatividade. Hoje estamos em processo de mudança na educação, mas ainda temos muito chão pela frente.

Livro de cabeceira: A coragem de ser imperfeito da Brené Brown. Para quem quiser conhecer esta pesquisadora maravilhosa, a TED está no Youtube.

O que te inspira? Conhecer cada vez mais o funcionamento humano. Este mergulho profundo em busca de algo que está muito além do rótulo e da embalagem: a essência de cada um.

Um hábito que não abre mão? Meditar. Diariamente e invariavelmente. Acho que me torna uma pessoa melhor, para mim mesma e para o mundo.

Você tem algum hobby? O que mais gosta de fazer no tempo livre? Gosto muito de ler, seja sozinha ou com as minhas pequenas. Sempre tenho vários títulos à mão para visitar e revisitar conforme o momento.

Quais são os seus planos para o futuro? Meus planos para o futuro são seguir compartilhando conhecimento, provocando reflexões, e buscando formas de auxiliar o ser humano a viver de forma mais significativa e conectada. Tenho em meus projetos, além dos atendimentos psicológicos, seguir dando aulas e cursos (paixão assumida a pouco), de maneira inovadora. Pois tanto falamos em reforma na educação, mas mesmo os psicólogos, quando na docência, por vezes acabam replicando o modelo tradicional de ensino. Hoje estamos desenvolvendo um projeto chamado “Na natureza selvagem dos esquemas” que visa repassar conhecimento através de conteúdos, acompanhados de experiências e vivências. Baseado na tomada de consciência de si e do seu fazer, o Projeto é destinado a psicólogos e psiquiatras, traz a correlação do que é ensinado com a realidade de cada um, buscando abarcar assim os estilos de aprendizagem visual, auditivo e cinestésico. 

O que é a Terapia do Esquema? Terapia do esquema é uma abordagem integrativa, uma linda teia tecida com muitos fios. Veio da terapia cognitivo comportamental, abraça a Gestalt, o construtivismo,  a psicoterapia psicanalítica, com a teoria do apego de Bowby e as bases biológicas do funcionamento humano. Uma proposta realmente audaciosa, que tem como ferramenta contundente o trabalho vivencial e com a emoções. Esta abordagem tem contribuído imensamente na promoção da saúde dos indivíduos e até mesmo no auxílio preventivo com a orientação a pais. Haja vista que considera a infância uma fase determinante para a formação de esquemas, que são estruturas formadas de crenças, emoções e percepções que nos ditam como nos vemos e como percebemos o mundo. Como sempre digo: nossos óculos.

O que mais lhe atraiu nesta abordagem? Difícil escolher, mas é uma abordagem que nos permite conectar de uma forma mais genuína com quem nos procura. Neste processo, as emoções são bem vidas e ferramentas de trabalho potentes. Fernando Pessoa dizia: Eu que me aguente comigo e com os comigos de mim. Por isso o trabalho com Modos, estes “comigos de mim” também é fascinante. As faltas ou dores difíceis de suportar, podem gerar dissociações, partes ou modos de nós mesmos, dos quais podemos ter consciência ou não. Estes podem estar agindo a reveria da nossa vontade consciente. Sendo assim, ter à mão ferramentas para buscar integrá-las de uma forma mais adaptativa é motivador na minha área.

Um diferencial para sua linha de trabalho? Uma vez estabelecido o embasamento científico, fui buscar a oportunidade de usar a criatividade e espontaneidade para melhor atender quem me procura. A linha que sigo é uma abordagem baseada em evidências, mas não é procustiana, ou seja, não nos obriga a um molde rígido de atendimento. O que considero fundamental para o meu perfil profissional e pessoal. Hoje trabalho com a TE em concomitância com outras abordagens como a Terapia Focada na Emoção e a Terapia de Aceitação e Compromisso. O que acredito favorecer o objetivo de melhor atender a necessidade de quem me procura para terapia.

A melhor invenção da humanidade? A internet, uma ferramenta poderosa de alcance quase inimaginável e extremamente afiada; e que como tal, tanto pode nos servir para audazes avanços, quanto para ferir o que nos é mais precioso. Lembra-me o próprio conceito da mente.

Quais músicas não saem da sua playlist? Me encanta a facilidade da arte em sensivelmente nos desnudar a alma. Sobre as músicas que me tocam no momento, posso citar Paciência, do Lenine; Templo; do Chico César, e; Metade, do Oswaldo Montenegro. Entre tantas melodias, gosto de refletir sobre as letras e sentir como a combinação delas, com ritmo, ressoam em mim. 

Um filme para assistir inúmeras vezes: Matrix, dirigido por Lana Wachowski e Lilly Wachowski.

Amar é... abrir mão das expectativas e entregar-se a misteriosa força que se dá na presença e conexão, resumindo, é poder olhar no olho e dizer: eu estou aqui para você.

Uma qualidade: criatividade. 

Uma palavra-chave: consciência. 

Reflexão de cabeceira? “Deus me conceda a serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar; coragem para mudar as coisas que eu posso; e sabedoria para saber a diferença.” Reinhold Niebuhra

 
 
 
 
Pioneiro
Busca
Imprimir
clicRBS
Nova busca - outros