Sociedade por João Pulita - Colunas do João Pulita - Sete Dias: agenda cultural, shows, exposições e mais
 
 

SOCIAL02/10/2020 | 06h10Atualizada em 02/10/2020 | 06h10

Sociedade por João Pulita

Veja a coluna social desta sexta-feira!

Sociedade por João Pulita Luana Salvador / Divulgação/Divulgação
Sofia Macedo foi abraçar seu pai, o médico e artefotógrafo Clayton Macedo, na estreia da mostra Marrocos, que ele exibe na Vitrine Conceito da Galeria Arte Quadros Foto: Luana Salvador / Divulgação / Divulgação

Outonal na primavera

O Instituto Filhos, fundado por Shirlei Omizzolo, promove a segunda edição do Chá Doce Outono. O primeiro encontro, agendado para o dia 7, terá como anfitriã a médica Eda Argenta, dona de uma trajetória ligada a filantropia em prol de jovens em vulnerabilidade social, desde seu engajamento com a antiga Legião Franciscana de Assistência aos Necessitados. Eda também integrou, por muitos anos, a equipe do Projeto Jovem Aprendiz Consolação, ao lado do marido, o empresário Ademir Argenta. Na proposta benemerente do Chá Doce Outono, Shirlei conta com o apoio de Maria Luiza “Ziza” Gazzola, que arregimentou um time de mulheres expoentes da comunidade para dar visibilidade e arrecadar fundos para a instituição.

Clique e confira outras edições da coluna social de João Pulita

A designer de interiores Daniela Moraes assina a ambientação da Vitrine Conceito, da mostra Marrocos, na galeria de arte da marchand Maria Inês Salvador Foto: Luana Salvador / Divulgação
Marina De Carli Sonda celebrou a passagem de seus 15 anos em encontro intimista no Palacete Eberle, com gastronomia do chef William Silva do Buffet Aristocrata Foto: Fernando Dai Prá / Divulgação
Adriana De Carli Sonda, Arthur De Carli Sonda e Rogério Sonda, os pais e o irmão de Marina De Carli Sonda, nos festejos da aniversariante Foto: Fernando Dai Prá / Divulgação
Os cirurgiões-dentistas Andressa Ballarin e João Cerveira serão os mestres do programa BC Residency Experience em Harmonização Orofacial, da UniqPro Foto: Michelle Rampinelli / Divulgação
As manas Aline e Camila Oliveira foram conhecer o novo endereço do time do restaurateur Eliseo Marin Foto: Thiago Silva / Divulgação

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De mãos entrelaçadas com o tempo!

Pedro SoldatelliFoto: Rafael Sartor, / Divulgação

Pedro Soldatelli, 57 anos, filho de Homero José Soldatelli e Anna Maria Baldo Soldatelli (in memoriam), aposentado, rememorou a infância na marcenaria do tio e um dia revelou-se artista e desde então produz, como quem ora, peças entalhadas em madeira que se transformam em imagens e arte. Os ícones sagrados são suas formas prediletas. Casado com sua maior incentivadora, Flávia Eugenia Sandi Soldatelli, este leonino, natural de Flores da Cunha, tem o prazer de viver acreditando nos seus sonhos e vê, com otimismo, em tudo uma possibilidade. Seu projeto Trecos com Arte está em exibição no espaço Boutique Ephémere, no Pátio Eberle, e chama atenção pela sensibilidade. Conheça o que transborda nas ideias desse dedicado artesão!

O que é o bom da vida? Aproveitar as oportunidades que a vida nos dá, a companhia da família, dos amigos e das pessoas que nos cercam, enfim, viver e viver.

Se pudesse voltar à vida na pele de outra pessoa, quem seria? Voltaria novamente na minha própria. Um Pedro mais liberto de horários e compromissos, não tenho o que me queixar desses 57 anos bem vividos.

Qual a passagem mais importante da tua biografia e que título teria se fosse publicada? Na realidade, o que me marcou mesmo foi o falecimento de meu pai, em 1989, aos 62 anos, na época, tinha 26. Meu Mundo Ruiu, esse seria o título.

Qual é a sua história com o feito à mão, como começou e por que decidiu seguir por esse caminho? Nas horas de folga, que não eram muitas, geralmente aos domingos, fazia molduras para fotos e objetos adquiridos em viagens. Fiz também uma estante e mesa de centro para nossa sala, todas em madeira de demolição, tudo muito rudimentar e com equipamentos simples e muitas vezes emprestados por amigos. Esses trabalhos chamaram a atenção dos que vinham nos visitar e pediam quem havia feito, com isso passei a produzir outros, como relógios e pequenos anjos de parede, até que fui convidado a participar de feiras e percebi que isso seria um ótimo passatempo. Os convites foram mais frequentes. Já se passaram sete anos desde a primeira feira e há dois, com a aposentadoria, tenho me dedicado totalmente ao feito a mão. Amo o que faço, espero poder continuar com essa arte por muito tempo.

Como foi a decisão de escolher a madeira como matéria-prima? Na minha infância costumava passar alguns dias na casa do tio Joanim, irmão da minha mãe, que era marceneiro, adorava passar as horas na oficina observando ele trabalhar e transformar a madeira em lindos móveis. Isso sem falar que ele fazia para mim e meus irmãos, raquetes para jogarmos pingue-pongue e espingardas para brincarmos de bandido e mocinho. Tive também o professor Gilnei Nardi, no Ginásio, que me ensinou a fazer no torno lindos vasos e copos em nó-de-pinho e trabalhar na marcenaria, isso tudo me fez gostar da madeira como matéria-prima e poder transformá-la em arte.

Como é o processo de desenvolvimento de uma peça? Não tenho um padrão específico, dependo muito da madeira que tenho disponível para definir a peça a ser produzida, às vezes imagino fazer um trabalho e quando vejo sai outro, mas nada é descartado.

Você se considera um observador atento? Como você escolhe as narrativas a serem trabalhadas? Me considero observador até demais. Não tenho um padrão para desenvolver minhas obras, tudo depende do dia, como acordei, se dormi bem, se o saldo do banco está positivo ou negativo, enfim, as narrativas ocorrem de acordo com o humor.

Quais são as habilidades fundamentais para o artesão na cena atual? Precisamos ser positivos e acreditar que logo ali na frente isso tudo vai passar, que as feiras e exposições voltarão a acontecer e que nossas artes serão admiradas, prestigiadas e adquiridas. Nunca desistir de nossos sonhos.

Quais são suas influências e inspirações? Como isso reflete no seu dia a dia? Quem sempre me influenciou para fazer esse trabalho é minha esposa Flávia, que me acompanha há 34 anos. Quando me sinto desanimado ela me incentiva a continuar, a fazer, a experimentar, a tentar, até que no final tudo dá certo e mais uma obra está finalizada. Muitas vezes me sento e penso o que vou fazer, as ideias brotam, mas na hora de colocar em prática não é fácil, com jeito e muita calma chegamos ao resultado desejado. Gosto muito do que faço, então mesmo errando nunca desisto, posso deixar de lado em algum momento, mas retorno sempre para finalizar.

Qual a importância além da sustentabilidade nesse meio? Tentar despertar no outro que o belo pode estar nas matérias-primas antigas, rústicas e simples. Que tudo pode ser reaproveitado e transformado.

Qual o maior desafio para quem desenvolve artesanato e em pequena escala? Entrar no íntimo das pessoas e despertar nelas o mesmo sentimento que tenho ao fazer as obras. Outro desafio é ter parceiros que nos incentivem como Luciana Alberti, do Le Marché Chic.

Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo? Fazer os santos, mostrando a minha vocação religiosa e as janelas com casas e paisagens, representando o que observo em meus passeios.

Qual sua dica para quem deseja se manter criativo durante a pandemia? Nunca desistir e se manter animado, alegre, se não souber cozinhar, costurar, bordar, pintar, tente fazer. A prática e a persistência farão você chegar lá.

O que tem feito para impactar o mundo e as pessoas de maneira positiva? O mundo não sei se um dia vou conseguir impactar; mas as pessoas que estão no meu dia a dia, estas sim, tenho certeza que consigo passar muita alegria, otimismo, e uma visão de mundo mais humana, na qual podemos conviver como amigos, independente de raça, cor ou credo. Acredito em uma sociedade melhor em que as pessoas se respeitem, sem necessidade de regras para que isso aconteça. E mais uma vez volto a dizer, nunca desista de seus sonhos.

Gostaria de ter sabido antes... que as fases de nossa vida passam muito rápido e não conseguimos aproveitar ao máximo do que nos é oferecido.

Um hábito que não abre mão? Viajar e orar.

Quais são os seus planos para o futuro? Fugir do frio.

Reflexão de cabeceira? “Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo.” (Fernando Pessoa). Acrescento “madeiras também, assim faço minhas obras.”

 
 
 
 
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