Sociedade por João Pulita - Colunas do João Pulita - Sete Dias: agenda cultural, shows, exposições e mais
 
 

SOCIAL30/04/2020 | 06h10Atualizada em 30/04/2020 | 06h10

Sociedade por João Pulita

Veja a coluna social desta quinta-feira!

Sociedade por João Pulita Rafael Sartor / Divulgação/Divulgação
O psiquiatra e psicoterapeuta psicanalítico Caetano Fenner Oliveira integra a equipe que trará para Caxias do Sul o espetáculo do diretor teatral e psicanalista Julio Conte Foto: Rafael Sartor / Divulgação / Divulgação

Palco e Plateia

Atendendo às orientações da OMS e das autoridades de saúde sobre os riscos do contágio da Covid-19,  o Núcleo de Psicoterapia Psicanalítica da Serra Gaúcha, responsável por trazer a peça Bailei na Curva para Caxias do Sul, remarcou o espetáculo para o dia 2 de outubro, no Teatro Murialdo. O grupo presidido pela psiquiatra e psicoterapeuta psicanalítica Ana Paula Peukert Bassi está em contato virtual com o grupo para organizar os detalhes da apresentação. O marido de Ana Paula, o também psiquiatra e psicoterapeuta psicanalítico Caetano Fenner Oliveira colabora com afinco no projeto.

Clique e confira outras edições da coluna social de João Pulita

"Com dificuldades, sem dificuldades, apesar das dificuldades. Entender, sentir e viver é o que realmente importa. Aceitando ou não, a vida se faz e refaz a cada minuto. Portanto, siga em frente e não se torture por detalhes. Lembre-se: alcançar o sucesso é sempre complicado. Já o fracasso é fácil: basta insistir em agradar todo o mundo e esquecer de si mesmo. Vai passar!" - Vania Tonietto Brugali

No jardim de casa, a escritora Elaine Pasquali Cavion, busca leveza com o ofício, em temporada de muita produtividade criativa enquanto prepara novidades literárias Foto: Luciana Corso Galiotto / Divulgação

Calendário

Ontem foi um dia de muitas mensagens virtuais para a aniversariante, a artista plástica Jane De Bhoni. Hoje é a vez de Marcondes Tavares, conhecido consultor de moda, receber o afago de seus amigos e familiares pela passagem da data querida. O feriado será duplamente especial para o ilustre Aurélio Barp que celebrará o aniversário rodeado pela família.

Iniciativa

Os manos Leonardo e Andrigo Salvador, da Salvador Brewing Co. trocarão 2kg de alimento não perecível, ou mais, por um growler com um litro de cerveja gelada (limitado a dois growlers por pessoa), amanhã, durante o feriado do Dia do Trabalho, entre 9h e 15h, no P-47, nos domínios da Avenida Itália. Querem arrecadar duas toneladas de alimentos que serão destinadas ao Centro Cultural Espírita Jardelino Ramos.

A fashionista Juliana Cardoso Portes de Albuquerque empenhada na realização da campanha “Doar Tá Na Moda” em benefício do Hospital Geral Foto: Fabio Grison / Divulgação

Conexão

Juliana Cardoso Portes de Albuquerque, linha de frente da Lamuzze Boutique inova mais uma vez. Agora, ela criou uma estratégia de venda e desenvolveu uma modalidade em forma de leilão. Sensibilizada pelas dificuldades na área da saúde, em função da pandemia de Covid-19 (novo coronavírus), resolveu colocar em prática a campanha “doartanamoda” para arrecadar fundos em benefício do Hospital Geral. Esta ação consiste em leilões semanais via Instagram (@uselamuzze), que se iniciam toda quarta-feira e finalizam na semana seguinte.

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No dicionário de Gilmar: a natureza, os livros, a filosofia e seus mestres

Gilmar Marcilio Foto: Julio Soares / Divulgação

Gilmar Marcílio, conhecido filósofo, escritor e cronista do Pioneiro desde 2000, a pedido da coluna encarou a produção de um dicionário de A a Z, especial. O Coordenador da Galeria Municipal de Arte Gerd Bornheim e da Sala de Cinema Ulysses Geremia é autor de sete livros, entre eles,  A Vida Sem Manchete, Querer Sem Medida e A Elegância do Silêncio e programa, para o segundo semestre, o lançamento de seu primeiro livro de filosofia cotidiana, intitulado Jardim de Bolso, que sairá pela Editora Foco, de São Paulo. Viaje pelas ideias e memórias deste pensador contemporâneo!

A de Ausência: É difícil encontrar o equilíbrio nas relações afetivas. O convívio maduro pressupõe que a saudade é o catalisador a dar o tom de equilíbrio entre o bem-querer e o fastio.

B de Biblioteca: É a casa perfeita para a alma. Um lugar destinado à felicidade, como sonhava o escritor argentino Jorge Luis Borges. Entre as estantes repousam grandes amigos com os quais dialogo.

C de Caminhada: É quando encontro o sentido mais verdadeiro para a palavra autonomia. Uma espécie de solidão povoada, quando vou em busca de mim, na paisagem cambiante das estações.

D de Devoção: Uma lembrança de infância: minha mãe e minhas tias rezando em um altar repleto de imagens na sala da casa. Havia tanta fé neste ato ritual, que ainda hoje algo em mim se verga em busca dessa fé autêntica, quase primitiva.

E de Entardecer: É o momento em que o cansaço dá lugar a uma meditação espontânea. No crepúsculo, as sombras se misturam com a luz e me sinto convocado a experiências espirituais.

F de Fragilidade: A condição humana está ancorada no efêmero, no que se esfuma. Toda vez que me sinto envaidecido por algo, procuro dilatar a consciência de que sou apenas um átimo encorado na eternidade.

G de Gabola: Não gosto de pessoas exibidas, que tornam público tudo o que fazem. Nutro a maior admiração por quem é discreto e silencioso. 

H de Hilda Hilst: Está entre as maiores poetas do mundo. Lê-la é ser apresentado a uma experiência estética inesquecível. “A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos. E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima, olho d’água, bebida. A vida é líquida.”

I de Individualismo: E pensar que houve um tempo em que os homens se matavam quando perdiam sua honra. Hoje, somos pavões que se exibem o tempo todo.  A morte do privado nos tornou bem menos interessantes.

J de Jardim: Estou imbuído dele por estar cercado pela natureza. Vivo em férias permanentes. Meus dias são povoados de pássaros, formigas, vagalumes, silêncio, brotações, exuberância da flor de laranjeira anunciando a primavera. 

K de Karma: Eu o penso não como uma ameaça ou promessa futura. Dívidas e recompensas pertencem à ordem do presente, embora muitas vezes sua manifestação seja obscura. Basta estar atento para ver o inferno e o céu sendo criados a cada instante.

L de Libido: Vai além, bem além de sua conotação sexual. Aproxima-se do conceito de “vontade de potência”, do filósofo Spinoza. É o que nos impulsiona a seguir vivos, a inventar um sentido para a existência.

M de Miragem: Não podemos nos abastecer só daquilo que existe. É preciso inventar uma realidade feita mais de sonho do que de algo tangível, material. 

N de Nostalgia: Não sou um ser melancólico, mas tenho crises de reverência ao passado. Sei que tudo é filtrado pelo tempo e edulcorado. O feio se embeleza e a maior dor, torna-se suportável. Isso é benção e maldição, pois nos desvia de nosso único pertencimento – o presente.

O de Ócio: Uma prática que exige tempo e paciência. Não confundir com diversão. É simplesmente existir, gostar da própria companhia e entregar-se. Contemplar, evitando a tentação de interferir.

P de Paciência: Não tenho e lastimo profundamente. Estou tentando me educar. Mas minha tendência, nas coisas práticas, é mais para o imediatismo. O processo me angustia, gosto do resultado, da tarefa finda.

Q de Quermesse: É uma palavra com uma sonoridade linda. Tenho encantamento só de recordar: a roupa nova, engomada, o sermão caprichado do padre, o jogo de cavalinhos e a reunião dançante.

R de Reconciliação: É quando o ser humano revela o que há de melhor dentro dele. A capacidade de perdoar, de esquecer. E reencontrar, pelo abraço, o sentido de comunhão. Não consigo entender quem se orgulha do próprio rancor.

S de Sêneca: Se há em mim algumas virtudes, eu certamente as devo às inúmeras leituras da obra desse grande mestre. E à consequente prática. Seus ensinamentos são atemporais. “Pobre não é aquele que tem pouco, mas antes aquele que muito deseja.”

T de Terapia: Deveria ser prescrita, em algum momento da vida, para todos. Gosto das práticas bem pontuais: colocar luz sobre um problema que nos angustia, ajudando-nos a seguir sem tantas pedras nos bolsos.

U de Urgente: Procuro riscar, nem sempre com sucesso, esse vocábulo dos meus dias. Olho com algum desdém para o que não pode ser adiado. Urgente é o amor, a amizade, o abraço. A gratidão, a gentileza, a compaixão.

V de Velho: Se o corpo ainda é nosso amigo, dá para aproveitá-la conhecendo, enfim, o que significa a sabedoria. Mas exige trabalho, perseverança. Como disse Platão, bengalas são prova de idade, não de prudência. Vale lembrar: os bons ficarão melhores; os maus, só piorarão.

W de Walden: Livro do americano Henry Thoreau, que viveu no século 19, e que descreve os dois anos que passou sozinho próximo ao rio com esse nome. Uma denúncia contra a glorificação do progresso e da modernidade. “Estou convencido, por fé e experiência, que a automanutenção neste mundo não é um sofrimento, mas um passatempo, se a pessoa viver de modo simples e sábio.”

X de Xereta: Cada um de nós, em algum momento, bisbilhota a vida de alguém. Costuma ser bem divertido. Mas não pode se tornar maledicência. Quanto muito, uma inofensiva diversão. 

Y de Yin Yang: Custei a encontrar uma palavra que iniciasse com esta letra. Fui ao Aurélio e ao Google. Essa é de bonita sonoridade e traduz as polaridades que envolvem tudo o que existe. Só conseguimos apreciar o dia por existir a noite; o calor, o frio; a solidão, o amor.

Z de Zen: É o estado de alma a que eu aspiro. Uma certa indiferença à dor e ao prazer. Saber distender a corda e permanecer sobre ela sem tensão, quase relaxado. Retesar a flecha com o músculo no grau mínimo de inquietação. Aceitação que nasce das paixões domadas.


 
 
 
 
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