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Inventário14/11/2014 | 17h03

Talian é reconhecido pelo Iphan como referência cultural brasileira

Certificado será entregue na próxima terça-feira, em Foz do Iguaçu

Talian é reconhecido pelo Iphan como referência cultural brasileira Jonas Ramos/Agencia RBS
Eugênio Lume (D), Iracema Dal Magro Lume (C) e o filho Eduardo Luiz Lume são proprietários rurais em Monte Bérico e fala o dialeto Foto: Jonas Ramos / Agencia RBS
Tríssia Ordovás Sartori

trissia.ordovas@pioneiro.com

O talian, dialeto falado pelos imigrantes italianos na Serra, acaba de ganhar um novo status. A língua dos nonos foi reconhecida pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como referência cultural brasileira — o certificado será entregue na terça-feira, durante o Seminário Ibero-Americano da Diversidade Linguística, em Foz do Iguaçu (PR).

Vídeo: livreiro Maneco conta a sua história com a língua e cita algumas expressões 



Na prática, a inclusão do talian no Inventário Nacional da Diversidade Linguística, por si só, é insuficiente para garantir a sobrevivência dessa língua brasileira de imigração, mas a sinaliza como elemento cultural importante, que merece ser preservado. E, especialmente, serve como alento àqueles que foram impedidos de falar a língua materna, por pressões políticas e sociais.

— O maior ganho é psicossocial, se é que podemos chamar assim, de reconstituição da autoestima, de uma língua estigmatizada oficialmente e na prática cotidiana — avalia o pesquisador e escritor José Clemente Pozenato, coordenador do projeto-piloto, desenvolvido entre 2009 e 2010, que culminou na certificação do talian.

Na família dos produtores rurais Eugênio Lume, 52 anos, e Iracema Dal Magro Lume, 50, os filhos foram estimulados a falar português, mesmo no âmbito familiar, na residência situada na localidade de Monte Bérico, em Farroupilha.

— Não ensinamos muito o talian para que eles não se confundissem, porque fica mais difícil aprender o português — explica a mãe de Eduardo Luiz, 28, e Isabel Carla, 23.

Eduardo percebe que a fala com sotaque ainda provoca algum estranhamento, algumas pessoas a recebem com ironia. Mas ele busca reverenciar as origens e canta no coral da comunidade.

— São nossas raízes, resgatam a cultura da nossa região. Infelizmente está se perdendo, falta interesse. Antigamente existia um preconceito, hoje as pessoas dão valor — diz.

 
 
 
 
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