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Fandango29/12/2013 | 03h27

Porca Véia despede-se dos palcos com show animado nos Pavilhões, em Caxias

Músico recebeu convidados em apresentação que durou 4h30min

Porca Véia despede-se dos palcos com show animado nos Pavilhões, em Caxias Diogo Sallaberry/Agência RBS
Porca recebeu a mãe, Julieta, na última homenagem em cima do palco Foto: Diogo Sallaberry / Agência RBS
Tríssia Ordovás Sartori

trissia.ordovas@pioneiro.com

Os fãs de Porca Véia que compareceram aos Pavilhões da Festa da Uva na noite de sábado não tiveram do que reclamar nesta despedida, a não ser pela despedida em si. O último show do músico, que teve início às 21h15min, terminou quatro horas e meia depois, já na madrugada de domingo.

Pelo palco, passaram amigos do gaiteiro como Renato Borghetti, Yamandu Costa e Luiz Carlos Borges, protagonistas da primeira hora e meia de apresentações, registrada na gravação de um DVD com produção independente.



No camarim, antes do início do show, Porca Véia estava ansioso e com medo de chorar. 

— Me sinto lisonjeado. Vejo que alguns valores da vida não terminaram, como o carinho e a amizade — confessou, na presença dos parceiros nos bastidores, que receberam uma faca cada, com dedicatória.

Quando se aproximava das 21h, Porca trocou a camiseta polo que vestia por uma camisa Lacoste branca, adornada por um lenço de seda da mesma cor. A mulher Claudinéia Bossardi trouxe o chapéu que ele não sabia onde tinha deixado e, então, Porca desfez-se da boina e ajeitou os cabelos que escorriam sobre os ombros.

Enquanto recebia fãs e familiares, os músicos tocavam em uma roda informal. Borges e Yamandu pareciam conversar apenas com os dedos — cada um dedilhando seu instrumento — e, volta e meia, olhavam-se nos olhos e sorriam. 

— Eu e Yamandu nos encontramos seguido e estamos sempre mostrando novidades musicais um ao outro — contou Borges.

Esse encontro musical de almas repetiu-se também no palco, nas parcerias de Borghetti com o ótimo Arthur Bonilla, que na execução de Merceditas levou o público ao delírio e, de ambos, com Yamandu. O violonista, considerado uma doçura por Porca, ficou no palco e tocou também com Luiz Carlos Borges, mostrando uma afinidade com o anfitrião que transcende a presença musical.

— É uma participação simbólica — resumiu Yamandu.

— Temos diversos momentos como esse registrados na memória, esse é só mais organizado — compara Borghetti.

Às 22h30min, Porca segurou na mão da companheira e subiu no palco. "Com o pé direito", ela pediu. Beijaram-se, reafirmaram o amor e logo depois ele teve o primeiro contato com a plateia, composta por fãs de várias cidades brasileiras.

Aos gritos de "Hu, Porca Véia!" foi ovacionado pelo público logo na chegada. Com as mãos para cima e em pé, convidou a todos para a diversão. Alguns dançavam e rodopiavam como se estivessem em um salão de baile.

Abriu o show com Fandangueiro e tocou 15 músicas, antes de receber o amigo Daltro Bertussi para interpretar duas canções. Filho de Honeyde Bertussi  e engenheiro por formação, não toca profissionalmente. 

— Começamos a tocar juntos e quero acabar juntos — disse — Moro na Praia dos Ingleses, em Santa Catarina, e agora acho que vamos nos encontrar com maior frequência — completou.

Depois deles, Porca descansou por quatro músicas. Ivan e Fernando, integrantes do grupo de Porca, Cordiona, deram prosseguimento ao espetáculo como protagonistas, seguido por Zezinho e Grupo Floreio. No retorno do anfitrião, outras seis canções foram executadas.

O grand finale ficou por conta de Vou Me Despedir Cantando (Eu vou me despedir cantando/Como canta o sabiá/ Eu vou me despedir cantando/ Mas adiante eu vou chorar).

Porca não chorou e até recebeu a mãe Julieta, de 86 anos, no palco. Saiu comovido com o carinho das cerca de 5 mil pessoas, segundo a organização do evento, e voltou para o bis.

À 1h49min de domingo, novamente acompanhado da mulher, deixou o palco pela última vez nos 33 anos de carreira, desceu as escadas e entrou no camarim. Minutos depois, estava recomposto, leve e faceiro.

— Foi cansativo, mas é muito legal ver essa resposta, a sincronia que se estabelece com as pessoas. Isso é uma coisa fantástica — afirmou, pronto para descansar.
 
 
 
 
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