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Literatura08/04/2013 | 07h01

Noite para lembrar uma jovem poetisa

Biblioteca Municipal de Caxias do Sul sedia sexta programação em homenagem a Vivita Cartier

Noite para lembrar uma jovem poetisa Julio Calegari,  Acervo do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami /
Vivita passou seus últimos anos no distrito caxiense de Criúva Foto: Julio Calegari, Acervo do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami
Maristela Scheuer Deves

maristela.deves@pioneiro.com

Aos 16 anos, no início do século 20, a poetisa porto-alegrense Vivita Cartier já compunha marchinhas de Carnaval para uma escola de Porto Alegre, a Venezianos. Cerca de três anos depois, em 1913, ela mudou-se para Criúva, no interior de Caxias do Sul, para tentar restabelecer-se de uma tuberculose com os "ares da Serra". Ali viveu por seis anos, até sua morte, em 1919, aos 26 anos, deixando uma produção densa e significativa que será homenageada na próxima sexta-feira — data em que se comemoram os 120 anos de seu nascimento — durante a 3ª edição do projeto Noite na Biblioteca, na Biblioteca Municipal Dr. Demetrio Niederauer, em Caxias.

A programação incluirá, entre outras atividades, declamação de poemas de sua autoria, como In Pulvis — Inscrição para meu Túmulo (leia abaixo), do qual foram retirados os dois versos que decoram sua lápide: "Minh'alma paira além com seus fulgores, / Volve-te a ela, a ela manda flores".

As vagas para participar da Noite na Biblioteca são limitadas, e as inscrições vão até quarta-feira pelo telefone 3221.1118 ou pelo e-mail bibliotecapublica@caxias.rs.gov.br.

Confira o poema In Pulvis, de autoria de Vivita:

In Pulvis
Inscrição para meu túmulo

Aqui jazem os trágicos horrores
Do decompor sinistro da matéria;
Não te detenhas, pois, nesta miséria
Oh! Não deponha sobre a lousa flores...

Segue... é vazia esta mansão funérea;
Minh'alma paira além com seus fulgores,
Volve-te a ela, a ela manda flores
Através do pensar, com graça etérea.

Vai prescrutá-la em qualquer sítio lindo!
Ela é tão forte como o mar bramindo
E tem a suave tepidez dos ninhos...

Aspira-a, pois, nas brisas cariciantes
Desvenda-a nas estrelas cintilantes
Evoca-a no cantar dos passarinhos!

 
 
 
 
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