Uma festa que dura três dias, é repleta de convidados animados e dançando muito. Não há consumo de álcool. E as mulheres não exibem muito a pele, apesar dos vestidos acinturados. Pode-se resumir assim o casamento árabe de Khitam Qadan, 18 anos, e de Mohmad Qadan, 22, ambos caxienses filhos de palestinos. A noiva chegou em Caxias do Sul há um mês e sequer fala português.
Simplificações à parte, a cerimônia envolve um sofisticado ritual, iniciado na quinta-feira, dia 26 de abril, com a preparação da henna. A pasta na cor marrom foi usada no dia seguinte, durante a festa na sede social do Recreio da Juventude, onde o noivo pintou as iniciais de ambos e um coração flechado na mão esquerda da noiva. Nessa noite, Khitam usou dois vestidos.
No sábado, dia 28 de abril, os noivos trocaram alianças no mesmo salão. Dias depois embarcaram para a lua de mel em Jericoacoara, no Ceará. A noiva curtirá as praias paradisíacas do Nordeste brasileiro de uma forma particular: ela não pode usar biquíni ou maiô.
Para Imad Bakri, irmão de Kitham, é difícil manter as tradições palestinas em Caxias, e conta que as meninas de família palestina são levadas à terra de origem para estudar e aprender os costumes, ainda antes da adolescência.
– Aqui tudo parece ao contrário, mas elas são criadas conforme a tradição.
A cerimonialista Márcia Duarte, responsável pela organização da festa, reafirma o cuidado e o respeito pelo rito. O casamento de Khitam e Mohmad é a terceira boda árabe em que trabalha. A aprendeu a admirar o respeito pela família e pela tradição demonstrado pelos clientes.
Nas festas, não há muito protocolo a ser seguido, a própria família define a melhor hora para cada momento do ritual. E o responsável pelo clã é quem costuma dar a palavra final na organização. Essa proximidade fez com que Márcia passasse a se sentir integrante da família.
– Certamente são amigos que vou levar para a vida toda – afirma.








