Toyo Bagoso lista três lembranças marcantes do Mississippi Delta Blues Bar - Colunas da 3por4 - Sete Dias: agenda cultural, shows, exposições e mais
 
 

3por428/04/2020 | 12h57Atualizada em 28/04/2020 | 15h28

Toyo Bagoso lista três lembranças marcantes do Mississippi Delta Blues Bar

Espaço anunciou fechamento na Estação Férrea, onde estava instalado há quase 14 anos

Toyo Bagoso lista três lembranças marcantes do Mississippi Delta Blues Bar Felipe Nyland/Agencia RBS
Toyo nas dependências do bar Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

O Mississippi Delta Blues Bar fecha suas portas na Estação Férrea, deixando para trás milhões de histórias, shows memoráveis, e uma das mais longevas atuações de um bar/casa noturna em Caxias. Foram quase 14 anos oferecendo por aqui, na terra dos descendentes de italianos, um pedacinho de uma cultura tão peculiar como a do blues, nascida nos longínquos campos de algodão americanos. Tão longe de casa, o gênero conheceu morada na Serra pelas mãos de Toyo Bagoso e Rodrigo Parisotto, os proprietários do Missi. 

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Ainda é incerto o destino do bar — talvez ele migre para os pavilhões da Festa da Uva —, o que se sabe por enquanto é que uma era cheia de momentos históricos ganha encerramento. Para celebrar a memória do espaço, pedimos para Toyo listar três lembranças inesquecíveis vividas nas dependências do bar. Confira abaixo, nas palavras do próprio:

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Expoente do blues, James Cotton passou pelo Missi em 2013Foto: Daniela Xu / clicRBS

1. Uma lenda no palco: James Cotton (show ocorreu em 2013)
"A gente foi um dia antes para Porto Alegre, ele tocou no Teatro da PUC. Fomos no camarim e os músicos estavam falando: "sério mesmo que amanhã vamos tocar num bar pequeno de novo? Tanto tempo tocando em teatros e shows grandes". Eles chegaram no Mississippi e ficaram "Meu Deus, é como um juke joint americano no Brasil, nem acredito". O show foi incrível. Quando recebemos a proposta, pensamos que nunca íamos conseguir pagar o show. Lembro que botamos o ingresso a R$ 200, se não me engano. Lotou a casa, porém, nem assim pagamos a metade do cachê. Mas a gente sempre falava que nosso patrimônio maior eram os shows que passavam por aquele palco, isso não tem quem nos tire."

2. Blues e carnaval, que combinação
"Nos primeiros anos de Mardi Gras (festa de carnaval promovida pelo Mississippi), a gente liberava guerra de espuma. O primeiro ano teve show de Rafa Schuler e Tiago Ferraz e a gente fez guerra de espuma com a banda. Chegou uma hora que todo mundo do staff pegou uma espuminha. Quando chegou certa hora, liberou a guerra... Imagina, o piano (que ficava em cima do palco desde a abertura do bar), a guitarra do Rafa Schuler, a banda ficou branquinha. As cordas da guitarra foram todas para o saco, desafinou tudo na hora. Aí a gente proibiu, deixou as guerrinhas de espuma só lá fora. Depois, foram 11, 12 anos de Fabrício Beck y Los Serpentinas. O Fabrício começou com as marchinhas, a gente tirava todas as mesas no final da noite, empilhava tudo e rolavam as marchinhas. Foram anos incríveis, a gente fazia cinco dias de carnaval, isso também foi histórico."

3. Nata do rock gaúcho também passou por lá
"Sempre fomos um bar mais ligado a blues, rock e soul, ao invés de ter um pé no jazz, como todo mundo liga blues ao jazz. Pô, o Rodrigo (Parisotto) veio do Revival (extinto bar de rock de Caxias) e a gente sempre foi mais rock'n'roll. Nestes anos todos, tivemos diversos show de Charles Master, Julio Reny, Wander Wildner, Júpiter Maçã, Nei Van Soria, que inclusive fez o último show grande no bar. Levamos os verdadeiros, os protagonistas, as lendas do rock gaúcho na sua essência mesmo, foi um show melhor que outro. Alemão Ronaldo também veio, acho que praticamente todo mundo passou por ali e foi histórico. Boas lembranças desse rock gaúcho no Mississippi também."

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