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3por410/01/2019 | 16h37Atualizada em 10/01/2019 | 16h58

Frase que faz crítica a Daniel Guerra é apagada e reescrita em obra de arte interativa em Caxias

Obra faz parte da exposição coletiva "Criações Poéticas", disponível para visitação na Casa da Cultura

Frase que faz crítica a Daniel Guerra é apagada e reescrita em obra de arte interativa em Caxias Antonio Valiente/Agencia RBS
Quando a reportagem esteve na galeria para registrar uma foto da obra, a frase em crítica ao prefeito havia sido novamente pintada Foto: Antonio Valiente / Agencia RBS

Uma obra da exposição coletiva Criações Poéticas, que está disponível para visitação na Galeria Municipal de Arte Gerd Bornheim, na Casa da Cultura de Caxias, se transformou em alvo de polêmica. No momento da abertura, em dezembro, a artista Nil Kremer propôs a performance Desterro, que dialogava com a literatura e o teatro. Na ocasião, o corpo da artista foi delimitado com uma linha de giz de cera numa das paredes da galeria. Em cima do contorno, a pergunta "o que o corpo comporta?" sugeria que os visitantes interagissem com a obra, escrevendo e desenhando naquele espaço. Uma pessoa utilizou o painel para escrever a seguinte frase: "Guerra, nos deixe em paz". A polêmica surgiu nesta semana, quando a obra com a inscrição que fazia referência a prefeito Daniel Guerra (PRB) apareceu diferente. A frase foi apagada e, em seu lugar, surgiu o desenho de uma flor.

A artista Nil Kremer conta que ficou surpresa quando amigos lhe contaram que a intervenção realizada em sua obra havia sofrido uma alteração.

— A ideia da obra era justamente que as pessoas pudesses expressar o que elas quisessem expressar — disse a artista.

Contraponto
O coordenador da Galeria Municipal de Arte Gerd Bornheim, Gilmar Marcílio, confirma que a alteração na obra Desterro foi, de fato, realizada durante a quarta-feira, por uma equipe de manutenção da Secretaria da Cultura. Ele explica que a decisão corresponde a uma diretriz geral da secretaria em manter uma neutralidade com relação a posicionamentos político-partidários.

— Ficou entendido que a frase constituía uma agressão a uma pessoa. Mesmo no sentido de respeito da liberdade de manifestação, num espaço público se busca uma elegância de comportamento. Buscamos uma imparcialidade, da mesma forma que não teríamos ali uma manifestação pró-prefeitura. Pode parecer radical, mas no nosso entendimento não fere o princípio democrático, a palavra censura não cabe aqui. Nos colocamos à disposição para o caso de a pessoa que fez a intervenção se interessar em conversar sobre o caso — disse Marcílio, em conversa com a coluna. 

Durante a tarde desta quinta-feira (10), quando a reportagem esteve na galeria para registrar uma foto da obra, a frase em crítica ao prefeito havia sido novamente pintada.

— Tantas vezes for pintada, tantas vezes será apagada. Seguiremos com a mesma diretriz quanto a isso — apontou Marcílio.

Abaixo, a obra de arte com a frase "Guerra nos deixe em paz" já apagada, e à direita, com a intervenção reescrita:

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