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3por414/01/2019 | 12h15Atualizada em 14/01/2019 | 14h31

Artista da mostra "Criações Poéticas" posa com mordaça na Galeria Municipal de Caxias

Coletivo que originou a exposição se posicionou sobre frase em obra interativa apagada pela Secretaria da Cultura 

Artista da mostra "Criações Poéticas" posa com mordaça na Galeria Municipal de Caxias Junior Alceu Grandi/Divulgação
Artista colocou mordaça para sugerir censura Foto: Junior Alceu Grandi / Divulgação

CORREÇÃO: das 12h15min até as 14h30min desta segunda-feira este site informou, equivocadamente, que o artista da imagem acima era Lucas Leite. Na verdade, o artista que aparece na foto é Matheus Montanari. 

Segue rendendo reações da comunidade cultural caxiense a decisão da Secretaria da Cultura de apagar intervenção em obra exposta na Galeria Municipal de Arte Gerd Bornheim (entenda o caso abaixo). Durante o fim de semana, o coletivo Criações Poéticas, responsável pela mostra que abriga a obra em questão, divulgou uma carta aberta sobre o caso. O manifesto conta ainda com uma imagem na qual o artista Matheus Montanari, que também participa da exposição Criações Poéticas, aparece usando uma mordaça em frente à obra de Nil Kremer.

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A frase que causou polêmica é "Guerra, nos deixe em paz", que a prefeitura entendeu ser direcionada ao prefeito Daniel Guerra (PRB). A inscrição foi escrita e apagada pela Secretaria da Cultura duas vezes.

Leia parte da carta divulgada pelo coletivo Criações Poéticas:

"O apagamento de uma frase integrante da obra de arte a altera de maneira definitiva em sua realidade material e conceitual, modificando portanto, sua natureza interativa, produzindo uma ação ilegal, pois vai contra os direitos de autor nos termos da constituição. Além disso, a atitude da Secretaria atenta contra a liberdade de expressão em seu fundamento mais elementar pois a frase não continha nada de desabonador, ofensivo ou muito menos partidário. As palavras "guerra" e "paz" fazem parte do imaginário público e mesmo que em contexto, venham a se relacionar ao prefeito Daniel Guerra (PRB), não fazem referência direta a sua pessoa e vale ressaltar que não são atribuições intencionais da natureza da obra. Vale dizer ainda que é natural e até esperado, que uma obra como Desterro, que convida o público a interagir livremente por meio de desenhos ou escritos, venha a ser instrumento de manifestações de teor político. Portanto denunciamos a atitude de censura e atentado contra a liberdade de expressão não só da obra, mas da artista e do público, e  consequentemente do grupo de artistas envolvidos na exposição. Condenamos a atitude da galeria em não preservar a obra e sua materialidade, e de em nenhum momento comunicar a artista e o curador sobre as intervenções feitas pela galeria antes de que fosse tomada qualquer atitude referente a mesma, sendo esse ato extremamente grave por se considerar crime alterar uma obra de arte por razões visivelmente comprometidas em silenciar uma crítica legítima".

Entenda o caso:

:: No dia 14 de dezembro, a exposição coletiva Criações Poéticas é aberta simultaneamente na Galeria Municipal de Arte Gerd Bornheim e na Galeria de Arte do Centro de Cultura Ordovás.
:: Uma das obras expostas na Galeria de Arte Gerd Bornheim é Desterro, da artista Nil Kremer. Com caráter interativo, a obra traz o corpo da artista delineado num mural, espaço no qual os espectadores são convidados a se expressarem (por meio de escritos, desenhos, etc.) respondendo à provocação "O que o corpo comporta?".
:: No dia 21 de dezembro, um visitante interage na obra escrevendo a frase "Guerra, nos deixe em paz".
:: No dia 9 de janeiro, a Secretaria Municipal da Cultura decide apagar a frase da obra entendendo se tratar de uma manifestação político-partidária, já que Guerra poderia ser uma referência ao prefeito Daniel Guerra (PRB).
:: No dia 10 de janeiro, a frase aparece reescrita na obra.
:: No dia 11 de janeiro, artistas de Caxias divulgam amplamente nas redes selo com a inscrição "Guerra, nos deixe em paz. Censura jamais".
:: No dia 11 de janeiro, um grupo de artistas vai até a Galeria de Arte Gerd Bornheim e encontra a frase novamente apagada. Há nova intervenção. Desta vez, a palavra "censurado" é escrita ao lado de "ditadura cultural do secretário", em referência ao secretário da Cultura, Joelmir da Silva Neto.
:: No dia 13 de janeiro, Coletivo Criações Poéticas, responsável pela mostra homônima divulga carta aberta em crítica à postura da Secretaria da Cultura.

Trceira intervenção na obra Desterro, exposta na Galeria Municipal de Arte Gerd Bornheim
Na última sexta, artistas trocaram a frase "Guerra, nos deixe em paz", apagada duas vezes, por "Censurado"Foto: Rafael Dambros / Divulgação

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